Tower Air: A pior companhia americana que operou no Brasil

A Tower Air foi uma companhia co-fundada por Morris K. Nachtomi, um homem que já tinha uma longa carreira na aviação, depois de passar 30 anos na El Al (Israel Airlines).

Após isso, Morris voltou para os Estados Unidos para comandar a Flying Tiger e Metro International Airways. Quando adquiriu os direitos sobre a marca Tower, decidiu fundar a companhia que passaria então a prestar voos charter (fretamentos), ganhando muitos contratos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para transportar tropas das forças armadas americana e das Nações Unidas para suas missões de paz em todo o mundo. 

No inicio da década de 90, durante a Guerra do Golfo, a companhia aérea foi a responsável por evacuar centenas de cidadãos americanos de Tel Aviv. A Tower foi a única companhia aérea dos Estados Unidos a fornecer serviço regular para Israel em 1991, obtendo um seguro especial contra riscos de guerra fornecido pela Federal Aviation Administration (FAA).

A empresa tinha base de operações no Aeroporto Internacional John F. Kennedy (JFK) em Nova York e chegou a operar com uma frota composta por 19 Boeing 747 nas versões 100 e 200.

Em 1993, a Tower Air entrou com pedido para realizar voos regulares para o Brasil, no entanto, essas operações só vieram acontecer em 1995. Antes deste período a empresa realizava voos fretados para diversas cidades brasileiras, como Rio de Janeiro (GIG), Curitiba (CWB), Recife (REC), Belo Horizonte (CNF) e São Paulo (GRU).

Tower Air chega ao Brasil

No dia 12 de maio de 1995, sob argumento que estava esperando uma estabilidade da economia brasileira com a mudança de moeda para o plano real, a Tower Air iniciava seus voos regulares no país. As operações tinham como destino o Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (GRU), operando um voo semanal aos sábados decolando às 23:00 para Nova York com escala em Miami.

Apostando suas fichas no mercado brasileiro, Morris Nachtomi, já tinha planos de abrir uma segunda frequência semanal no trecho, entrando na briga com ás concorrentes  americanas United Airlines, American Airlines e com as brasileiras Varig, VASP e Trans-Brasil.

Mas nem tudo era como o CEO da empresa prometia para seus passageiros. Após a Guerra do Golfo, a companhia aérea começou a enfrentar dificuldades financeiras e operacionais.

Após uma perda de mais de US$20 milhões, a Tower Air passou a enfrentar grandes problemas de manutenção em suas aeronaves velhas e cansadas. A empresa entrou na lista das piores companhias aéreas em segurança de voo.

Com isso, 11 das 19 aeronaves da sua frota estavam sendo “canibalizadas” para fornecer peças para aquelas que ainda tinham condições de voo. Além disso, haviam diversas denuncias de seus tripulantes pelas péssimas condições de trabalho que a empresa oferecia, deixando seus profissionais hospedados em hotéis sujos e com segurança precária.

O único voo operado no Brasil aos sábados, quase sempre não chegava no dia programado, e quando chegava tinhas problemas técnicos e não decolava no dia e horário previsto. Por diversas vezes, os passageiros chegavam em Guarulhos para embarcar e o avião simplesmente não estava lá e quando estava não saia por motivos técnicos.

Era comum ver a Tower Air estampando as capas dos jornais com diversas denuncias de não cumprimento de voos a atendimento aos passageiros.

No limite…

Com tantos problemas e denuncias, no ano de 1996 a Tower Air acabou suspendendo os voos regulares para o Brasil. Algum tempo depois, em fevereiro de 1998, a FAA entrou com dois processos civis contra a companhia aérea, no valor de US$ 276.000 por voar com aeronaves em situações precárias de manutenção.

Por sua vez, a companhia aérea tentou cortar custos, mas foi forçada a pedir dinheiro emprestado para adquirir novos motores para continuar operando.

Com o mundo desabando ao seu redor, o Conselho de Revisão do Transporte Aéreo Comercial do Departamento de Defesa suspendeu todos os fretamentos militares da Tower Air, enquanto aguardava uma revisão por conta de suas operações precárias. Ao mesmo tempo, a companhia aérea perdeu uma arbitragem movida pela Associação de Comissários de bordo, pelas péssimas condições de trabalho.

Em 29 de fevereiro de 2000, a Tower Air entrou com pedido de falência e pouco tempo depois em 1 de maio de 2000 encerrou suas operações, entregando seu certificado de operador aéreo a FAA.

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