O dia que o rei do pop Michael Jackson voou VARIG

Crédito imagem: Marcelo Senna, editor executivo do Extra.

Ao longo de sua trajetória artística, Michael Jackson esteve no Brasil por três vezes. A primeira, em 1974, ainda adolescente, realizou apresentações pelo grupo The Jackson 5, em algumas capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. Em 1993, o cantor retornou ao país com carreira solo e já renomado como o rei do pop. Na ocasião, Michael veio com a turnê mundial “Dangerous World Tour”, que realizou dois shows no estádio do Morumbi, em São Paulo.

O Contato Radar, traz mais um artigo histórico, com relatos da terceira e última visita de Michael Jackson ao Brasil, em fevereiro de 1996, desta vez o rei do pop viajou em voos de carreira com a VARIG. O ex-comissário Euflaim Machado Junior, que até o dia 8 de fevereiro daquele ano, nunca teve a experiência de atender uma grande celebridade nos voos da companhia. Até o momento que o despachante de voo informou que a primeira classe estava fechada para atender o astro que embarcaria para o Brasil.

A tripulação do voo RG837 de Los Angeles (LAX) para Rio de Janeiro (GIG), operado com o MD-11, aguardavam o embarque do ilustre passageiro. Acompanhado por três seguranças e por três agentes de sua equipe, Michael Jackson apareceu todo de preto com luvas brancas, máscara e óculos escuro. Calado sem nenhum tipo de reação, sentou-se na poltrona 1L e não levantou mais.

Durante o voo de aproximadamente 13 horas, Michael Jackson passou boa parte do tempo dormindo, quando acordou a única coisa que consumiu foi água, servida pelo seu assessor. Os três comissários responsáveis pela cabine, tiveram pouco trabalho naquele voo.

Antes de ser servido o café, finalmente Michael Jackson levantou-se de sua poltrona para ir ao banheiro próximo a galley. O comissário Euflaim, que fazia parte da equipe, era um grande fã de Michael, e procurava uma oportunidade para poder se aproximar do cantor. Viu aquele momento como uma oportunidade para levar uma recordação daquele dia.

Ao sair do banheiro, Michael se viu de cara com o Euflaim, que trêmulo lhe disse que era seu fã, e pediu um autógrafo para levar a sua filha. Sem falar nada Michael Jackson apenas balançou a cabeça concordando e voltou para seu assento. Euflaim ficou apavorado pensando que tivesse agido mal com aquele pedido, mas depois de um tempo o assessor pessoal do Michael, chegou até ele e perguntou o nome da filha dele.

Pouco sem jeito ele informou que sua pequena filha se chamava Magali, o assessor não entendeu o nome e pediu para ele escrever em um papel, que levou  para o artista que assinou um cartão com sua foto. Devolvendo ao assessor que lhe entregou o tão esperado autógrafo com dedicatória a sua filha que na época tinha apenas três anos de idade.

Crédito foto: Euflaim Machado Junior

Euflaim, relatou que ficou muito emocionado ao ver Michael Jackson fazendo o autógrafo com dedicatória a sua pequena filha. A foto autografada foi colocada em um porta retrato e hoje aos 27 anos Magali guarda com orgulho a dedicatória que ganhou ainda bebê de um dos maiores nomes da música mundial.

Assim que o MD-11 parou no finger do Galeão, Michael Jackson foi o primeiro a desembarcar, saindo pela escada lateral que dava acesso ao pátio. Aonde uma van já o aguardava para a segunda etapa do voo que seria para Salvador (SSA).

Galeão – Salvador

A viagem para Salvador, foi a bordo do Boeing 737-200 da VARIG. No voo de duas horas, Michael Jackson ganhou a companhia de duas crianças americanas, filhos de amigos e do privilegiado editor-executivo do jornal Extra, Marcelo Senna. Michael Jackson, se sentou nas primeiras poltronas com às crianças, o jornalista ficou bem próximo, a menos de um metro e meio de distância.

Durante o voo, Marcelo tentava a todo custo uma entrevista com o rei do pop, só que dois seguranças enormes, evitaram que chegasse ainda mais perto. Foram inúmeros pedidos e acenos, que não sensibilizaram o astro. Sem conseguir a tão desejada entrevista, mesmo sendo o único repórter do mundo a bordo, Marcelo presenciou, bem pertinho, uma performance que detonou um tilintar de cintos sendo desafivelados e fez todos espicharem o pescoço para a primeira poltrona do Boeing 737 da VARIG.

“Michael Jackson passou boa parte do voo brincando com seus acompanhantes, um menino e uma menina com seis anos, naquela época.” Em local vip, o jornalista pode acompanhar atentamente o que poucos viram e ouviram: a história em que ele interpretava um leãozinho perdido na floresta. As crianças e o jornalista se deliciaram com os rugidos e as caretas durante a história.

“Foi melhor do que qualquer um daqueles megaclipes feitos pelo astro. Este foi um clipe quase exclusivo. Pra mim e para as crianças.” Relatou Marcelo Senna. Poucas pessoas poderiam acreditar que Michael Jackson estava num voo de carreira da VARIG e desta vez sem a primeira classe.

“Aquele foi o voo do frisson. Os 81 passageiros só respeitaram o aviso de apertar os cintos na decolagem e na aterrissagem. Lá no alto, muitos queriam chegar perto do astro. Sem sucesso, claro, já que os enormes cães de guarda proibiam qualquer contato. O próprio mito tentava esconder o rosto em aproximações maiores. Um ou outro conseguiu uma foto para provar que esteve no avião com o maior ídolo da música pop. Afinal, quem acreditaria na história?” Completou o jornalista.

Michael Jackson, vestia uma jaqueta vermelha do time de futebol Torpedoes Soccer Team, calça e chapéu pretos. Entrou no avião com a inseparável máscara cirúrgica, que só tirou depois que as portas se fecharam. O ousado jornalista, arrumou um pretexto para ficar um pouco mais a frente, ele permaneceu em pé na primeira fileira sem poder sair dali por muito tempo.

Já tinha combinado com as comissárias que iria ficar por ali, enquanto era oferecido o serviço de bordo. E ali ficou, mesmo com os pedidos dos seguranças para voltar para seu assento, ele dava a desculpa que o trolley bloqueava o caminho impedindo de retornar.

As comissárias da VARIG, por sinal, disputaram para ver quem o servia. Michael adorou guaraná e comeu de tudo: canapés de queijo, presunto e salame; ovos de codorna, frango empanado, abacaxi, uvas e quindim (é, há 24 anos o serviço de bordo era bom assim). Só fez cara feia para o croquete de carne.

Pouco antes de pousar em Salvador, quem teve o maior privilégio além das crianças foram os pilotos. Naquela época era permitido visitar a cabine durante o voo. Michael foi à cabine e cantou, à capela, “Heal the world” enquanto sobrevoava a Ilha de Itaparica.

Assim que tocou a pista em Salvador, uma multidão de fãs e curiosos, aguardavam a chegada do astro, que esteve na capital baiana para gravar com o Olodum o clipe They Don’t Care About Us.

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