Itapemirim prevê 10 aviões no ano que vem com serviço de alta qualidade

O Contato Radar trouxe na semana passada, a primeira parte da entrevista com Tiago Senna, CEO da Itapemirim Linhas Aéreas. Na ocasião, Senna antecipou sobre os primeiros passos, que poderá começar como táxi aéreo e já planeja contratar funcionários.

Nesta segunda parte, trazemos a respeito da frota e tipo de serviço que a companhia pretende oferecer. A expectativa segundo o executivo, é que possam voar ainda no primeiro semestre de 2021, já que o processo na ANAC já está em andamento.

Contato Radar (CR): A Itapemirim voou nos anos 90 com aeronaves cargueiras e turboélices menores para passageiros. Qual a expectativa para o retorno da marca aos céus? Qual o nicho que a Itapemirim espera atender?

Tiago Senna (TS): A Itapemirim é uma das companhias brasileiras de transporte mais tradicionais do país e celebramos o novo momento da marca justamente com a nossa entrada nesse setor.

Para os próximos meses temos o grande desafio de entrar no setor aéreo como uma companhia aérea com novo conceito e que opere voos para transporte de carga e de pessoas com alta qualidade nos serviços, garantindo a melhor experiência aos nossos clientes.

Estamos trabalhando para a oferta de um serviço de alta qualidade. Nosso objetivo é resgatar o conforto e o “mimo” para nossos clientes, garantindo um atendimento diferenciado, com maior espaço entre as poltronas, com foco no conforto e qualidade.

Definitivamente nossa escolha não será Low cost e de certo iremos trazer ao nosso cliente tudo o que for possível para garantir uma experiência de voo agradável.

CR: Algumas fotos publicadas, mostram que a companhia tem a tendência de escolher os Bombardier Dash Q400 e Airbus A220. As opções por ATR 72-600 e pelos jatos Embraer, que já são utilizados em larga escala no Brasil, não seriam mais atrativos?

TS: Neste momento estamos avaliando quais são as melhores opções para a companhia. O modelo ainda não foi definido. As aeronaves deverão garantir conforto e praticidade para os nossos futuros passageiros. Além disso, buscamos aviões com a capacidade ideal para atender as demandas projetadas.

CR: Qual o cronograma inicial para o início de recebimento das primeiras aeronaves?

TS: A operação começará com a aquisição de aeronaves de tamanho médio. No primeiro ano entraremos com 10 aviões, sendo que, após estruturação completa da operação, temos a expectativa de termos uma frota de 30 aviões em três anos.

CR: Há previsão de capital estrangeiro na Itapemirim aproveitando a nova regulamentação da possibilidade de ser mais de 20%?

TS: Nosso planejamento estratégico prevê a entrada de investidores estrangeiros ou nacionais. Nosso propósito é contribuir para o fortalecimento do setor aéreo nacional, com a abertura de mais de mais de 600 postos de trabalho diretos já no primeiro ano e com início do processo de seleção em agosto.  

CR: Como alinhar o atual momento da companhia rodoviária com a atual crise mundial para lançamento de uma nova companhia aérea?

TS: Para que pudéssemos encarar o nosso processo de retomada, tivemos como norte a aplicação de decisões ousadas. Trabalhamos no processo de modernização do Grupo, revisitando o nosso plano tático e estratégico, priorizando a atualização e padronização de nossa marca, bem como a manutenção dos postos de trabalho.

Lógico que a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus impactou nossas operações em vários aspectos. Mas situações de crise também podem significar a criação de espaços para uma companhia diversificar o seu plano de investimento e, hoje, enxergamos a entrada no setor aéreo como uma oportunidade para tal.

CR: Como alinhar o modelo de negócio sabendo que hoje as companhias aéreas buscam ser mais econômicas na gestão e mais competitivas no preço do bilhete?

TS: De fato, há inúmeros modelos de gestão e, logicamente, variações conceituais. Como analogia, podemos usar uma rede de lanchonete fast food que tem preços baixos, alto volume de clientes e serviço coerente com seu preço. Por outro lado, há redes de lanchonete com serviços diferenciados e que atendem um público que quer algo mais que um simples lanche. Ou seja, no final, o lanche é o mesmo, o que muda é o atendimento, ambiente e qualidade.

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