60 anos do acidente aéreo protagonizado pelo piloto Milton Terra Verdi

Aflito e sem notícias, pai freta avião até Corumbá

No dia 12 de dezembro de 1960, Manoel de Oliveira Verdi fretou um avião para levá-lo a Corumbá. Durante o trajeto o pai comentava com um primo que pretendia fazer uma grande festa quando trouxesse o filho para casa. Antes de decolar de Rio Preto, ele também foi informado que a FAB enviaria dois aviões e um helicóptero para ajudar o resgate. E, entre as várias informações desencontradas naqueles dias, o pai recebeu a notícia de que Milton e Augusto estavam presos na cadeia de San José de Los Chiquititos, na Bolívia.

Chegando a Corumbá, o Departamento de Aviação Civil (DAC) voltou a impor burocracias em cima de burocracias. E, após atender a todos pedidos do órgão, veio um grande banho de água fria: Manoel descobriu que a história do filho preso era falsa. Soube também que os aviões de resgate que auxiliariam nas buscas ainda estavam no Rio e as coordenadas passadas pelo SAR davam em cima de um banhado, sem sinal do avião.

O pai esperou por mais longos nove dias quando, finalmente, os aviões da FAB chegaram. No dia 22 de dezembro, um terceiro avião ligado ao SAR pousou em Santa Cruz de La Sierra. Esta era a aeronave que tinha localizado o Cessna 20 dias antes.

Os três aviões da FAB decolaram e logo o erro de coordenadas foi esclarecido. O Cessna 140 estava a 40 quilômetros do local da posição passada. Manoel estava a bordo de um dos aviões do SAR e ficou trêmulo quando viu o pequeno monomotor no meio da clareira, mas não via nenhuma movimentação. O dia chegava ao fim, e, na manhã seguinte, as equipes retornariam com helicópteros, permitindo o pouso naquele espaço confinado.

O sorriso voltou ao rosto de Manoel, que prometeu uma enorme ceia natalina para todos os oficiais da FAB envolvidos no resgate. A felicidade aumentou quando foi feito o contato com familiares que aguardavam notícias em São José do Rio Preto. A euforia voltava aos corações da família Verdi.

No dia 23 de dezembro, sem a terceira aeronave da FAB, o helicóptero seguiu em uma direção enquanto outro avião do salvamento decolou para o lado oposto. Nenhuma aeronave localizou o avião desaparecido. Após duas horas de voo, ambas retornaram. Desta vez somente o helicóptero decolaria, Manoel ficou no aeroporto, aguardando o regresso.

Após seis horas, o helicóptero apontou no horizonte. Manoel, apreensivo, viu que nenhum dos militares vinha falar com ele. Um dos oficiais então se aproximou e disse que as equipes não conseguiram pousar devido à instabilidade. O pai, aflito, entendeu a situação e voltou para o hotel, mas, na verdade as equipes tinham desembarcado e confirmado que Augusto e Milton estavam mortos.

Walter Dias, primo de Manoel, foi informado sobre as mortes e teve a difícil missão de contar para o triste desfecho. Ao saber que o filho e o genro não tinham sobrevivido, Manoel chorou inconsolavelmente. A FAB tomou conhecimento de que precisava enviar um helicóptero maior para fazer a retirada dos corpos do local.

Esses helicópteros maiores chegaram a Corumbá, mas fortes chuvas impediram o resgate dos corpos e somente no dia 2 de janeiro de 1961 as equipes conseguiram pousar na clareira. Durante o resgate dos corpos, Walter encontrou as anotações escrita por Milton.

No dia 4 de janeiro de 1961, às 16h, o Douglas C-47 da Força Aérea Brasileira pousava em Rio Preto. Após 130 dias, Augusto e Milton retornavam para a cidade natal deles. Familiares, amigos e centenas de pessoas acompanharam o enterro. Eles foram sepultados lado a lado.

Livro ‘O Diário da Morte’

Os relatos anotados por Milton foram transformados em livro escrito por Walter Dias. “O Diário da Morte – A tragédia do Cessna 140” foi publicado em 1961. Todas as anotações, fotos e gravuras estão estampadas na obra. 

Por décadas, pessoas tinham costume de ir até o cemitério Ressurreição e colocar copos com água sobre os túmulos. Isso aconteceu até meados de 1990.

Aeronave resgatada

Em 2010, o Museu Tam, com autorização da família, resgatou o pequeno Cessna 140 e levou até São Carlos. A aeronave ficou em exposição em um display, exatamente como foi encontrada. Ao lado do pequeno avião foi montada uma fonte d’água com a imagem de Milton.

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