VARIG 820: 47 anos do acidente provocado por bituca de cigarro

Texto idealizado e com colaboração de Vito Cedrini

Quem nasceu a partir dos anos 90, pode não saber, porém a prática do fumo a bordo dos aviões era normal e permitido. A proibição de fumar veio somente em 1987, tendo a Austrália o primeiro país a aderir nos voos domésticos.

Em 1990, Estados Unidos passou a proibir também nos voos internacionais, o que foi adotado pela Austrália também. Com o passar dos anos, virou lei, e hoje não é mais possível fumar em nenhuma companhia aérea no mundo.

Um acidente que ficou famoso devido a prática de fumar dentro das aeronaves, foi o VARIG 820. O voo foi operado pelo Boeing 707-345C matrícula PP-VJZ e caiu próximo ao aeroporto de Orly, em Paris, em 11 de julho de 1973.

O PP-VJZ parado próximo ao hangar da VARIG no antigo Galeão.

Um dado interessante desse jato, é que foi entregue originalmente para a americana Seaboard World. Até alguns anos atrás, a Boeing mantinha o chamado “customer code” no final dos modelos. O da Seaboard World era 45, por isso diferente dos 41 que eram utilizados para a VARIG.

O voo 820 ligava o Rio de Janeiro com Londres, tendo uma escala em Paris. Ao todo tinham no voo 134 pessoas a bordo e sobreviveram 10 tripulantes e um único passageiro.

O acidente teve como principal causa a fumaça tóxica gerada por uma bituca de cigarro que foi descartada indevidamente na lixeira do banheiro. O calor das cinzas provocou o incêndio no saco plástico causando a fumaça tóxica que rapidamente se espalhou no interior do 707.

Com a fumaça tóxica tomando conta de toda a cabine, os pilotos tiveram dificuldades em comunicar com o controle de tráfego aéreo além da perda considerável de visão. O pouso de emergência foi realizado em uma plantação de cebolas a poucos quilômetros de distância da pista do aeroporto de Orly.

Uma curiosidade deste acidente, é sobre o comandante do voo, Gilberto Araujo da Silva que foi um dos sobreviventes. Gilberto após recuperar-se do acidente, retornou suas atividades na companhia. Porém ele comandou anos mais tarde, do voo VARIG 967, que desapareceu misteriosamente sem deixar nenhum vestígio após decolar de Haneda (HND).

Apesar da proibição do fumo a bordo somente quase 30 anos depois do acidente, ainda há passageiros pelo mundo que desobedecem a norma internacional. Por isso, ainda é obrigatória a existência de cinzeiros nas portas dos banheiros, local mais utilizado pelos passageiros para cometer o ato de fumar. Assim com o local apropriado para o descarte, não haverá risco de fogo a bordo.

Sobre o PP-VJZ, matrículas, datas e histórico:

N7322S 24/01/1968 Boeing “roll-out” em Renton
N7322S 26/02/1968 Boeing Primeiro voo em Renton
N7322S 08/05/1968 entregue a Seaboard World
N7322S 20/08/1968 comprado pela VARIG
N7322S 20/08/1968 arrendado de volta pela Seaboard no mesmo dia
N7322S 31/03/1969 retornado para a VARIG
PP-VJZ 14/04/1969 Registrado e nacionalizado na VARIG

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