O primeiro Boeing 737 do Brasil e sua atual situação

Que o Boeing 737 é um sucesso mundial isso ninguém tem dúvidas. Com quatro gerações fabricadas desde o final dos anos 60, a Boeing fabricou até maio deste ano mais de 10,5 mil unidades.

No Brasil não foi diferente. O jato voa até hoje em quatro companhias aéreas nacionais: a GOL que é a maior operadora do equipamento na América Latina; a Sideral, que possui majotariamente operação cargueira mas também conta com 737 de passageiros; Azul e Modern que operam no seguimento cargueiro com o 737.

Porém tudo começou em 1969 com a VASP sendo a protagonista nacional ao receber as primeiras unidades dos modernos Boeing 737-200, matrículas PP-SMA, PP-SMB e PP-SMC. Na época, o jato revolucionou o mercado sendo o primeiro avião comercial a não contar com o terceiro tripulante na cabine de comando, o engenheiro de voo.

O PP-SMA em voo de testes antes de ser entregue à VASP. Foto: Boeing.

Outra vantagem do equipamento era possuir apenas dois motores, invés de quatro ou três, utilizados pelos 707 e 727 respectivamente, o que tornaria mais competitiva e econômica. Com a introdução do 737, colocaria a VASP em um patamar superior no marketing da época em relação seus concorrentes principais: VARIG, Transbrasil e Cruzeiro.

Configurado com 108 assentos apenas, e com sua história incontestável, o PP-SMA tornou-se o 737 mais voado no mundo até sua aposentadoria forçada. Isso porque, desde quando foi entregue para a VASP em 1969, voou até 2005 quando encerrou suas atividades em um voo entre São Paulo (CGH) e Confins (CNF). Foram 35 anos voando ininterruptamente pelos céus do Brasil.

O PP-SMA visto no Galeão, Rio de Janeiro, em abril de 1998. Foto por Vito Cedrini.

O último voo foi marcado por um arresto de motores pelos credores da VASP. Os motores tiveram que ser removidos, impossibilitando a saída do jato do aeroporto mineiro. Para não ser associado à VASP, a companhia pintou todo de branco.

Através de um leilão que marcou arremates de vários materiais da VASP inclusive aeronaves, o PP-SMA foi adquirido por um empresário de Belo Horizonte. Na época queria transformá-lo em restaurante próximo ao aeroporto da Pampulha, porém o destino dele foi outro. Ficou estocado em CNF até 2014 quando foi removido para um lote em Vespasiano, não muito distante de onde estava.

Em novembro do ano passado, o PP-SMA foi transferido para Lagoa Santa, onde encontra-se com apenas as asas montadas. A aeronave fará parte do projeto arquitetônico do novo empreendimento na cidade, o “Mercadão Internacional”.

O Contato Radar estava a frente na recuperação da aeronave, em um projeto semelhante a de aeronaves expostas em museus ao redor do mundo. Consistiria na realização da sua primeira pintura e recuperação de pelo menos metade do seu interior para ser aberto à visitação.

No mês de abril em parceria com o canal Aerocast, pudemos conversar com Gabriel Toledano e apresentar o projeto para o público. Inicialmente, seriam necessárias colaborações com materiais, como tintas, solventes, engraxantes e algumas peças para recuperação do interior. Porém com a atual situação de pandemia no país, ainda não foi possível dar continuação ao projeto. Confira abaixo o vídeo na íntegra:

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