Especial Trijatos no Brasil: Boeing 727 – Parte I

Foto crédito: Vito Cedrini

Daremos início a um conteúdo histórico sobre aviação comercial no Brasil. O Contato Radar, abrirá seus arquivos fotográficos para contar um pouco das operações com aeronaves que marcaram época voando em companhias aéreas brasileiras. Nessa edição especial iremos contar um pouco sobre o lendário Boeing 727, que voou em 14 operadoras nacionais, no transporte de passageiros e cargas.

Cruzeiro e VARIG

A primeira companhia aérea brasileira a demostrar interesse pelo Boeing 727, foi a Cruzeiro do Sul, que no ano de 1968, encomendou junto ao fabricante quatro aeronaves. No entanto a VARIG, acabou sendo a empresa lançadora do modelo por aqui, recebendo as primeiras aeronaves em outubro de 1970, prefixos PP-VLF e PP-VLG.

Por sua vez a Cruzeiro, veio a receber pouco tempo depois entre 1970 e 1972, prefixos PP-CJE, PP-CJF e PP-CJG. Todos os modelos entregues para ambas, eram a variante 727-100. Designados para atender suas rotas domesticas de maior densidade, além de prestar serviços em rotas sul-americanas.

Juntas, a VARIG e a Cruzeiro chegaram a operar com 18 exemplares, todos do modelo Boeing 727-100. Sendo 10 unidades na VARIG e 8 na Cruzeiro. Mesmo após a VARIG absorver a Cruzeiro, os Boeing 727-100 da companhia, operaram com seu esquema de pintura até 1992, quando deixaram a frota.

Com o término das operações com passageiros, a empresa passou a utilizar o 727-100 apenas para transporte de carga. A divisão cargueira da VARIG passou a se chamar VARIG LOG, no inicio do ano 2000. Operando com cinco unidades de 727-100F que eram da VARIG e dois 727-200F desativados pela VASPEX. As aeronaves voaram para a empresa até o encerramento de suas operações comerciais em 2006.

VASP

A primeira companhia aérea brasileira a introduzir o Boeing 727-200 por aqui foi a VASP. No dia 29 de março de 1977, o país recebia o Boeing 727-200 prefixo PP-SNF, e em 19 de abril, foi a vez do PP-SNE, que chagaram para somar força com os lendários Boeing 737-200.

Os dois Boeing 727-200 da VASP, estavam configurados para transportar até 152 passageiros, na década de 70, foram as aeronaves mais modernas a operar voos domésticos no Brasil.

A empresa paulista também foi a primeira operadora do 727 na versão cargueira, em 1979, a VASP arrendou dois Boeing 727-30C originalmente da empresa Lufthansa, vendidos para a Evergreen. Ambas aeronaves de prefixo PP-SRY e PP-SRZ, ficaram por pouco tempo na companhia. O SRY, foi devolvido em outubro de 1980 e o SRZ, deixou a frota em fevereiro de 1981.

Com saídas do principal hub da companhia ,em Congonhas (CGH) Sao Paulo, os 727 da VASP, foram introduzidos nas rotas para Brasilia (BSB), Manaus (MAO) e principalmente para o Nordeste brasileiro passando pelo Galeão (GIG), no Rio de Janeiro.

No ano de 1981, foi o auge das operações com o 727 na companhia. No total contava com uma frota de oito aeronaves de passageiros e um cargueiro. A VASP também arrendou dois exemplares da Singapore Airlines, PP-SMK e PP-SRK, este último perdido no trágico acidente em Fortaleza.

A partir de 1982, com a chegada dos Airbus A300 na VASP, os Boeing 727 começaram a deixar a frota, sendo devolvidos ou arrendados a outras companhias aéreas. O ultimo 727 de passageiro a deixar a frota da VASP, foi o PP-SNJ, que voou pela companhia até abril de 1989.

No entanto, não era o fim do lendário 727 na frota da paulista. Em 1996, iniciava o projeto exclusivo para o transporte de cargas, dando inicio então a VASPEX. A divisão cargueira da VASP, que contava com uma frota composta por um DC-10-30F, dois Boeing 737-200 e cinco Boeing 727-200F, sendo que um deles nunca chegou a operar pela empresa, que antes tinha operado pela Air Vias e Taba com o prefixo PP-AIW.

Os demais 727 que chegaram a operar na VASPEX, foram os PP-SFC, PP-SFE, PP-SFF e PP-SFG. Em maio de 2000, as aeronaves SFF e SFE foram repassadas a VARIG LOG. Os outros dois Boeing 727-200F que restaram na frota, voaram até a paralisação da empresa em janeiro de 2005. Ficando estocadas nos aeroportos de Recife (REC) e São Luís (SLZ) até virarem sucatas.

Outro Boeing 727-200, que transportava passageiros para sua subsidiária da Bolivia, a Lloyd Aéreo Boliviano (LAB), prefixo CP-2294, foi trazido para ser convertido em cargueiro. Porém a porta de carga, teria sido cortada no lugar errado, dando perda total na aeronave, que ficou abandonado em Congonhas, até ser desmanchado em 2012.

Transbrasil

Nenhum outro 727, de uma companhia aérea nacional, teve a beleza de cores mais exuberantes que os clássicos que voaram na Transbrasil. Cada Boeing 727-100 da companhia, ostentava um esquema diferente de cores, levando o colorido pelos aeroportos brasileiros.

A empresa fundada pelo comandante Omar Fontana, recebeu no ano de 1974, seus dois primeiros 727-100 PT-TCA e PT-TCB. Ao todo, a empresa operou com vinte e duas aeronaves, tornando-se a maior operadora do modelo na América Latina.

Os 727 da Transbrasil atraíam a atenção não apenas pela presença constante nos aeroportos brasileiros, mas também pelas cores chamativas e pelo visual inovador que sempre tiveram. Para se ter uma ideia, o PT-TCA, primeiro 727 da Transbrasil, recebeu cinco pinturas diferentes em oito anos de operação.  

O nome dado aos coloridos Boeing da companhia era “Energia Colorida”, com cada avião representando uma fonte de energia diferente, que combinava duas cores em cada aeronave. Em 1978 a empresa decidiu modernizar o visual dos seus 727 e Omar Fontana decidiu colocar as cores do arco-íris na cauda dos seus aviões.

Primeiro, tentou-se uma fusão suave das cores, aplicada no PT-TYM, que teve sua fuselagem pintada em bege claro. Como o resultado não agradou, decidiu-se que as cores deveriam ser bem definidas e que a fuselagem seria pintada de branco.

Cada avião tinha as marcações das linhas das portas e suas asas foram pintadas em diversas cores lembrando o arco-íris, exceto a cor amarela, por ser muito clara. A Trans-Brasil pintou, quatro aeronaves em vermelho: PT-TCH, PT-TYI, PT-TYP e PT-TYU. Cinco em verde: PT-TCA/TCG, PT-TCE, PT-TYN e PT-TYQ. Três em violeta: PT-TCI, PT-TYM e PT-TCD. Quatro em laranja: PT-TCB, PT-TCF, PT-TYR e PT-TYT. Quatro em azul médio: PT-TYH, PT-TCC, PT-TYO e PT-TYS. E três em azul claro: PT-TYJ, PT-TYK e PT-TYL.

O PT-TYO foi pintado por pouco tempo na cor ocre, sendo depois pintado em azul médio. Esta pintura ficou famosa e tornou-se conhecida como padrão Arco-Íris. A empresa quando passou a utilizar outros modelos da Boeing em 1983 ao colocar 767-200 e o 737-300 em operação, começou a retirar os 727 da frota.

A Transbrasil chegou a encomendar dois 727-200 novos, que chegaram a ser fabricados, mas desistiu de recebê-los. A companhia parou de operar o Boeing 727-100 no final de 1989, após 15 anos de serviços prestados a companhia.

Além das quatro grandes operadoras do 727 no Brasil, tivemos outras empresas aéreas que operam e operaram com o trijato americano por aqui. A subsidiária da Transbrasil, Aerobrasil Cargo, utilizou dois Boeing 727-100, que foram o PT-TCA e o PT-TYK. O TCA, operou de julho de 1980 até dezembro de 1981, retornando ao serviços de passageiros na Transbrasil com um novo prefixo PT-TCG. A aeronave operava na rota São Paulo-Londres-Bagdá, para a Engesa, empresa bélica brasileira que na época fornecia material para o Exército Iraquiano.

Em junho de 1985, o PT-TYK foi devolvido a Transbrasil e retornou ao serviço de passageiros na empresa, passando a Aerobrasil a operar somente o modelo 707, encerrando suas atividades em 1996. 

DIGEX, Itapemirim e TNT Cargo

A DIGEX, operou apenas com uma aeronave 727-100, que chegou a receber três registros diferentes pela empresa, o primeiro registro era americano N750UA e depois recebeu outros dois registros nacionais: PT-TDG e PT-MDG.

A Digex Di Gregorio, foi criada em 1990, operando seu único Boeing 727 principalmente na rota São Paulo-Manaus entre junho de 1991 e o início de 1997, quando o avião foi enviado para Opa Locka nos Estados Unidos. Sendo desmontado em outubro do mesmo ano. A companhia também chegou a operar com um DC-8-62 e suas atividades foram encerradas em 1997, quando deixou de prestar serviços de cargas, passando a trabalhar apenas com manutenção de aeronaves. 

O amarelo ganhou os céus do Brasil, quando a Itapemirim Cargo, subsidiária da empresa de ônibus capixaba. Iniciou as operações no começo dos anos 90, voando apenas com aeronaves 727. Ao todo a Itapemirim chegou a operar com seis aeronaves em sua frota sendo 4 Boeing 727-100F e dois Boeing 727-200F, que atendiam principalmente a rota entre Campinas (VCP)-Manaus (MAO). Juntamente com a VASP e VARIG, foi uma das maiores operadoras de 727 cargueiros em nosso país, considerada a maior frota cargueira própria de uma companhia aérea latino-americana especializada em carga. Em 1999 a empresa encerrou suas operações e seus 727 foram todos vendidos. 

A TNT SAVA empresa cargueira do grupo australiano TNT, especializado em transporte de cargas e com afiliadas em todo o mundo, iniciou suas operações em julho de 1989. A primeira rota São Paulo-Manaus, com um 727-100 prefixo PT-SAV que havia pertencido a Transbrasil (PT-TYH). Em novembro de 1990, arrendou outro 727 ex-Transbrasil (PT-TYJ), que chegou dos Estados Unidos como N135CA, sendo rematriculado como PT-SAW e ambos usaram as cores padrão TNT, em branco e laranja. Em 1992 a empresa encerrou suas atividades e os 727 foram devolvidos aos seus donos. 

Dos anos 90 até a data de hoje, tivemos outras operadoras do Boeing 727 no Brasil. Na continuação deste artigo histórico do Contato Radar, você saberá um pouco mais sobre esta incrível aeronave que operou nas cores da Fly Linhas Aéreas, Via Brasil, Air Vias, Total Cargo, Rio Cargo, Sideral Cargo, Air Brasil Cargo, TAF Cargo, Taba, Platinum Air e ATA Brasil Cargo.

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