Flight Report: Buenos Aires para El Calafate com a Aerolíneas Argentinas

O Contato Radar voou em outubro do ano passado em quatro empresas argentinas. Como parte do Especial Argentina, abaixo o Flight Report voando com a Aerolíneas Argentinas, em um dia muito complicado para meteorologia na capital do país. Clique aqui e confira o voo anterior, um bate e volta entre Buenos Aires e Mendonza com a Norwegian Argentina.

Texto e vídeo por João Machado. Fotos por Woody.

Como esperado, os atrasos meteorológicos do início da manhã tiveram implicações nos voos pelo resto do dia.

Originalmente, após o retorno ao Aeroparque com a Norwegian Air Argentina, teríamos algumas horas de conexão até o voo com a Aerolíneas. Contudo, não apenas a volta desde Mendonza sofreu atraso como, após o pouso de volta à capital argentina, a aeronave ficou retida no solo durante uma hora por falta de vagas para estacionamento.

Resultado: já havia passado o horário do nosso voo com a Aerolíneas e ainda estávamos aguardando por vaga no pátio. Nossa sorte é que o próximo voo, pelos mesmos motivos, também havia atrasado. Assim, quando desembarcamos no finger, nosso voo para El Calafate ainda estava embarcando em uma posição remota.

Ainda não havíamos feito o check-in, mas o time da Aerolíneas conseguiu imprimir os cartões para nós, entregando-nos diretamente no portão de embarque, com bastante proatividade. Ponto muito positivo.

Passado o susto e recuperado o fôlego, nos dirigimos por ônibus à posição remota onde o 737-800 portando a belíssima pintura da Aerolíneas Argentinas nos aguardava. O voo seria operado pelo LV-FRQ, entregue à companhia argentina novo de fábrica em abril de 2014.

De cara, notava-se uma cabine esmeradamente limpa e moderna, possuindo o interior Sky Interior da Boeing. Os 737-800 da Aerolíneas contam com 8 assentos na Club Economy (equivalente à classe executiva) e 162 na Economy. Estávamos em poltronas diferentes, 3A e 11A. Como estava na primeira fileira da cabine econômica, pude esticar bastante as pernas. Já lá atrás, o espaço era razoável para pessoas baixas, mas apertado para mais altas.

Em pouco tempo as portas foram fechadas e o pushback foi iniciado. Não tínhamos tráfego à frente e o Aeroparque tem uma área operacional relativamente limitada, então o táxi foi bastante rápido; em poucos minutos o FRQ alinhava na cabeceira 13 da única pista do aeroporto.

Às 16h18 o comandante aplicou potência máxima no par de CFM56 e o 737-800 iniciou sua corrida. Apesar do voo relativamente longo e da pista ainda molhada, o FRQ subiu sem dificuldades, e rapidamente o enorme Río de La Plata pôde ser visto da minha janela.

Em pouco tempo deixamos as nuvens que encobriam a região de Buenos Aires, e estas deram lugar a um belíssimo céu azul. Basicamente, a rota do ARG1828 tangenciava a costa leste argentina. Desta forma, ora sobrevoávamos o Atlântico Sul, ora a imensidão pouco povoada do nosso país vizinho.

Após superarmos os 10 mil pés, o aviso de afivelar os cintos foi apagado. Rapidamente os comissários iniciaram o serviço de bordo, composto por refrigerantes, sucos, água e café. Um mix de cereais era a única opção de lanche, que julguei adequada. Me surpreendeu não haver nenhuma opção de buy-on-board, algo que nos últimos anos vem sendo adotado por grande parte das companhias aéreas.

O serviço dos comissários também me pareceu profissional, com bastante eficiência e atenção.

Antes de embarcarmos, consultamos o nosso voo de volta no FlightRadar24. Teoricamente, voltaríamos em outra aeronave, com um horário de partida posterior. Entretanto, no sistema do aplicativo ele constava como “cancelado”. Preocupados, pedimos aos comissários que checassem essa informação, de modo a não passarmos a noite presos no aeroporto.

Fomos orientados a buscar o pessoal de solo assim que pousássemos. Ponto bastante positivo para os comissários, que se mostraram dispostos a nos ajudar. Inclusive, ao saber que meu celular estava com a bateria fraca, um deles me emprestou seu power bank.

Após solicitar mais um mix de cereais e bebidas (não havíamos almoçado naquele dia), passei a folhear a revista da Aerolíneas, a Alta. Me pareceu muito bem editada e com bastante conteúdo. Nos seus 737, a empresa oferece também um serviço de streaming, mas preferi não utilizá-lo. Ao invés, fiquei observando as belas paisagens pelas quais passávamos. Woody que estava lá atrás, assistiu o filme Sully – O herói do Rio Hudson.

O voo transcorreu sem muitos contratempos ou turbulências e ao nos aproximarmos de El Calafate, a descida teve início.

Realizamos uma curva para a esquerda para ingressar na aproximação final da cabeceira 25. O LV-FRQ realizou um suave toque na pista do Aeroporto Internacional Comandante Armando Tola, em El Calafate, às 19h16, sob uma bela luz de fim de tarde.

Fomos os primeiros a desembarcar, após os passageiros da Club Economy. De fato, nosso voo de volta havia sido cancelado. A última partida do dia seria justamente operada pelo LV-FRQ, então havia pouco tempo para tentarmos alterar o bilhete. Infelizmente, enquanto o Woody conseguiu, com muita sorte, o último assento, eu fiquei ilhado.

Apesar do contratempo, a Aerolíneas me realocou no voo da manhã seguinte para Buenos Aires, com estadia e transfer inclusos. Fui muito bem tratado pelo pessoal de solo em El Calafate que, mesmo sob intensa pressão com o cancelamento, me pareceram atender a todos com máxima educação, atenção e eficiência. Um alívio que, no fim das contas, tudo tenha dado certo.

Conclusão

Ficamos positivamente surpresos com o produto da Aerolíneas. Apesar dos atrasos – que, diga-se, não ocorreram por culpa da empresa, mas sim por razões meteorológicas –, a empresa ofereceu um serviço bastante adequado e confortável.

A cabine era moderna e estava limpa, os assentos eram confortáveis e espaçosos, os comissários ofereceram um serviço bastante solícito e atencioso, e o pessoal de solo fez o possível para evitar maiores disrupções em nossa viagem.

Há espaço para melhorar, evidentemente. Sentimos bastante falta de tomadas embaixo das poltronas, o que seria importante para manter a conectividade durante o voo. Algo que é comum em diversas companhias aéreas no mundo. Ainda, acreditamos que poderia haver mais opções de snacks, mesmo que fossem pagas, pois o voo era longo com três horas de duração.

Enfim, a Aerolíneas ofereceu, no nosso entendimento, um produto bastante satisfatório e competitivo em relação aos que os seus concorrentes oferecem. Sendo assim, a depender do itinerário e preços, é uma ótima alternativa para voos internos na Argentina.

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