Fim da linha: quando aviões clássicos viram sucatas

Em todo país existem milhares de empresas especializadas em comprar diversos tipos de sucatas para reciclagem, a que chama atenção são das aeronaves comerciais que voaram por décadas por aqui. O futuro das aeronaves sucateadas ainda é incerto, mas a criatividade de algumas empresas de design vem chamando atenção.

A reciclagem de aviões pode ser a saída, além de um modelo de negócios atraente. Se por um lado é necessário lidar com grandes volumes de materiais, o que demanda certo investimento. Por outro, é justamente o que o reciclador sempre quis: matéria prima em abundância com logística simplificada. Já está tudo ali, em apenas uma peça: o avião, pronto para ser reciclado. No entanto não existem empresas no Brasil dedicadas a este modelo de negócio, o que podemos encontrar são artistas plásticos dedicados a transformar sucatas em móveis e obras de arte.

Para os amantes da aviação, é triste ver uma aeronave que fez história em suas operações, sendo sucateados e vendidas como ferro velho. No início deste ano, tivemos imagens chocantes do desmanche de um clássico DC-3 que operou na Varig durante anos. A aeronave, de matrícula PP-VBF, chegou a ficar exposta por cerca de 30 anos no Aterro do Flamengo, quando foi restaurado e exposto em frente ao antigo hangar da Varig no aeroporto internacional do Galeão. A massa falida de companhia aérea determinou que o velho guerreiro fosse sucateado para pagar indenizações trabalhistas de ex-funcionários.

Ainda no Galeão, em 2015 a retroescavadeira levou pouco mais de dois minutos para partir ao meio o Boeing 707-KC-137 2401 o “Sucatão da FAB”. A aeronave chegou a operar na Varig até o ano de 1986, quando foi transformado em avião presidencial, servindo a todos eleitos após a redemocratização até 2005, quando foi substituído pelo Airbus ACJ 319.

Sucatear para vender partes de aeronaves, é o negócio que não está focado no volume de metal que se vende como sucata, mas também algumas partes ainda podem ser reutilizadas em outras aeronaves: motores, unidades auxiliares de potência, trens de pouso, rampas de emergência e até caixa preta podem ser reutilizados. Mas obviamente, depende de muita pesquisa sobre o componente, que normalmente é bem documentado. Devolver ao mercado da aviação um motor ou um trem de pouso, pode envolver muita revisão e documentação que prove que a peça está apta a voltar lá para cima com segurança. Quando uma empresa aérea decide mandar um avião para o ferro velho, antes ela também retira todas as peças em bom estado de uso para reaproveitá-las.

Outra maneira de lucrar é destinar peças para finalidades que nada têm a ver com aeronáutica. Assentos decoram estúdios de cinema, entradas de ar dos motores se transformam em banheiras, flaps viram mesas, coletes salva-vidas viram bolsas. Ainda tem empresas criativas que montaram seu próprio negócio dentro das aeronaves ou manterão como peça de decoração na fachada de sua empresa.

No interior paulista a empresa Supermercado da Sucata, tornou-se um dos maiores compradores de sucatas de aeronaves. No ferro velho é possível encontrar para compra, parte de fuselagem de Boeing 737, Fokker-100, ATR-42, trem de pouso de DC-8 entre outras peças de aeronaves. Veja alguns registros das aeronaves antes e depois que viraram sucatas.

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