Como é voar para China no Boeing 777-300 de passageiros convertido em cargueiro pela LATAM

Neste domingo (07) está sendo realizando o décimo sétimo voo da LATAM com destino à China, que ocorre desde o dia 03 de maio. Quatro Boeing 777-300ER da companhia, matrículas PT-MUC, PT-MUE, PT-MUI e PT-MUJ, foram adaptados para o transporte de cargas em voos especiais realizados para as cidades chinesas de Guangzhou (CAN), Shangai (PVG) e Xiamen (XMN). Até o final do mês de junho serão vinte e sete operações realizadas, e para o próximo mês, novos fretamentos já foram agendados. A previsão é que sejam feitos um total de 45 voos especiais para a China.

Mais de 500 toneladas de insumos hospitalares de combate a pandemia foram transportadas nessas operações especiais patrocinados por empresas privadas e governos estaduais. As operações sempre partem de São Paulo (GRU), e seguem direto até a primeira etapa em Amsterdam (AMS) onde estão sendo realizadas escalas técnicas para abastecimento e descanso da tripulação.

Alguns destes voos passam por Recife (REC) ou Fortaleza (FOR), para deixar parte da carga do voo anterior e ser distribuída no Nordeste, antes de seguir para AMS. Estes voos, também são aproveitados para exportar frutas do Brasil para a Europa, tais como mangas e mamão, produzidas no Vale do São Francisco.

As aeronaves que não tiveram as adaptações de cabine realizadas, o PT-MUJ por exemplo, ganhou um forro especial sobre as poltronas para receber as caixas com insumos que serão protegidas com redes especiais para cargas evitando seu deslocamento durante o voo. Com o PT-MUI ficou mais fácil: as cinco primeiras fileiras da classe econômica foram retiradas para ser carregado em baias. Um equipamento que facilita as amarras da carga, foi colocado no local para poder receber as caixas para seu transporte.

Cada operação com destino à China é composta por quatro comandantes, quatro primeiros oficiais, um loadmaster – cuja função é a de gerir o carregamento, transporte e descarga das mercadorias-, um mecânico, dois agentes sendo um despachante e um auxiliar que são responsáveis pela acomodação da carga e um coordenador operacional de carga. Mesmo com suas distintas funções, na hora do carregamento dos insumos, todos ajudam.

Acompanhamos umas das operações com destino à China: o voo JJ9516. O triple seven deixou a posição 403 do terminal 2 do aeroporto internacional de São Paulo às 13:30, iniciando o taxi para a cabeceira 27L. Com potência máxima dos motores GE90, às 13:41 o Boeing 777-300ER da companhia ganhou os céus rumo à Amsterdam, a primeira etapa da viagem. Onze dos treze tripulantes a bordo foram acomodados na Premium Business LATAM, e vinte minutos após a decolagem, o almoço foi esquentado no forno servido por eles mesmos, com opções de massa ravióli tradicional e carne com legumes. Pouco tempo depois do almoço parte da equipe já tinha pegado no sono, as persianas foram fechadas e seguiram cruzando o oceano Atlântico. Cinco horas após a decolagem um clima de descontração tomou conta do voo, a equipe aproveitou parte do tempo para trocar experiências e conhecimentos durante o jantar.

O Boeing 777-300ER tocava a pista 18R de AMS às 06h08 (horário local), parada técnica para reabastecimento e descanso da tripulação. Os comandantes foram os primeiros a deixar a aeronave seguindo direto para o hotel. A equipe de apoio incluindo o mecânico, ficaram para finalizar os procedimentos de estacionamento e pernoite do 777. No dia seguinte com plano de voo autorizado em mãos, a equipe já estava preparada para a segunda etapa da viagem, o voo JJ9517 decolou para a cidade chinesa de Xiamen (XMN). A refeição servida a bordo foi salada, com arroz com carne acompanhado de pão e salada de frutas para sobremesa. Pouco mais de dez horas de voo, o triple seven estava sobrevoando a China. Sob uma fina garoa, o jato tocava na pista 05 do aeroporto internacional de Xiamen Gaoqi, um dos principais aeroportos da China continental no fluxo de cargas.

A permanência da equipe em XMN foi rápida e estratégica: em cinco horas de solo, o Boeing 777-300 foi carregado com 53 toneladas de insumos hospitalares distribuídos na cabine de passageiros e porão de carga. O voo de retorno foi um pouco diferente do descontraído voo de ida, com a aeronave carregada de caixas nos assentos presas a redes, era necessárias vistorias constantes na cabine para ver se tudo estava de acordo durante o voo. A parada técnica em AMS durou cerca de uma hora, tempo suficiente para troca de tripulantes e reabastecimento antes de seguir de volta para São Paulo.

O voo JJ9519 decolou de AMS por volta das 22h00 pousando em São Paulo pela manhã às 05h03. A operação percorreu um total de 18 mil quilômetros em 46 horas de viagem, realizado por uma equipe de profissionais apaixonados pela sua profissão e que neste momento estão sendo peças fundamentais para melhorias nas condições de saúde de muitos brasileiros.

 

Compartilhe nas redes sociais

Acesse o Fórum Contato Radar para mais informações sobre a aviação no Brasil e no mundo clicando aqui!