Aero entusiastas buscam espaços permanentes para fotografias nos aeroportos brasileiros

No vai e vem de passageiros nos aeroportos, estão os aero entusiastas, pessoas aficionadas por aviões. Mais conhecidos como spotters, este grupo de pessoas tem como hábito registrar com suas câmeras e celulares o movimento diário das aeronaves. Sejam nas avenidas e estradas próximas às cabeceiras, vidraças com visão ao pátio de aeronaves entre outros pontos estratégicos em busca dos melhores ângulos.

Hoje em dia, companhias aéreas, concessionárias aeroportuárias e órgãos administrativos de diversos aeroportos no Brasil, reconhecem o trabalho anônimo desses apaixonados por aviões. Anualmente, os principais aeroportos brasileiros realizam eventos que garantem aos spotters acesso privilegiado ao pátio e aéreas próxima a pista para realizar registros exclusivos dentro da área operacional do aeroporto.

Os eventos conhecidos como “Spotter Day” teve suas primeiras edições oficiais organizadas pela Infraero durante a Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte (CNF), no dia que o Brasil enfrentou a Alemanha na semi-final e perdeu de 7 à 1, para acompanhar o movimento dos voos fretados que trouxeram torcedores e jogadores para o jogo. Meses depois, Recife (REC) levou mais de cinquentas spotters ao pátio do aeroporto.

O aeroporto internacional de Guarulhos/São Paulo (GRU) já administrado pela concessionária GRU Airport, levou cerca de 120 spotters ao antigo terraço que estava fechado desde o final do anos 80, para acompanhar o primeiro voo da companhia aérea Etihad Airways, que iniciava as operações no aeroporto em 1º de junho do mesmo ano.

Depois dessas iniciativas em 2015, diversos aeroportos brasileiros abraçaram a ideia e passaram a promover eventos em áreas restritas para os spotters. O Contato Radar também promoveu durante três anos seguidos o CNF Spotter Day, tendo a Força Aérea Brasileira a principal parceira.

Alguns aeroportos, chegaram a criar um canal exclusivo para os spotters, onde foram cadastrados e receberão uma carteirinha para poder fotografar nas cercanias do sítio aeroportuário sem serem importunados, mas nem sempre foi assim. Antes do reconhecimento,  não era tarefa fácil, ida dos aero entusiastas que frequentavam as áreas para fotografar o movimento das aeronaves. Já ocorreram inúmeras situações envolvendo profissionais de segurança, que retiram os spotters dos locais, por não conhecer ou compreender o que estavam fazendo por ali.

Na década de 90, quando não era popular o uso de câmeras digitais, seguranças chegaram a tirar o filme de rolo das câmeras por não saber o que os spotters estavam fotografando, tendo inclusive spotters que chegaram a parar na Polícia Federal simplesmente porque estavam fotografando aviões no Brasil. A iniciativa dos aeroportos em dedicar um ou dois dias por ano para promover a arte da fotografia aeronáutica ajudou e muito a promover a cultura aeronáutica no Brasil, além de derrubar essa barreira do anonimato dos apaixonados por aviões.

Hoje em dia, o Plane Spotting (observadores de aeronaves) se popularizou em todo país, aeroportos como o de Brasília (BSB), chegou a promover eventos para 300 inscritos, em São Paulo foram realizados diversos eventos no gramado da Base Aérea de São Paulo para mais de 500 pessoas. O perfil dos aero entusiastas podem variar de acordo com gosto e tipo de registros de preferência. Neste mundo desconhecido dos amantes da aviação, é possível encontrar aqueles que registram aeronaves por prefixos (número de registro), eles guardam álbuns de fotos com toda a frota de diversas empresas aéreas que voaram e voam no Brasil. Também tem aqueles das redes sociais, que buscam seguidores pelos seus registros variados, muitos deles com características artísticas em situações diferentes e inusitadas que podem garantir boas curtidas.

A arte da fotografia aeronáutica, é uma forma gratuita de promover as ações variadas e campanhas das empresas aéreas e aeroportos. Basta uma pintura especial comemorativa ou uma ação publicitária nas aeronaves, que logo os spotters vão à caça da novidade.

Em diversos países ao redor do mundo, foram destinadas áreas específicas para o plane spotting. Em Amsterdã (AMS) na Holanda, existem vários pontos de fotografías, além do terraço aberto que conta com um Fokker-70. Já em Frankfurt (FRA) na Alemanha o terraço aberto conta com lanchonete e uma lojinha que vende souvenirs para aficionados e na cercanía do aeródromo um deck foi construído em um ponto estratégico para fotografias , outros aeroportos como o de Zurich (ZRH) na Suíça, Miami (MIA) nos Estados Unidos, Narita (NRT) no Japão, e diversos outros não foi diferente, as administradoras dedicaram um espaço para a prática do plane spotting.

No Brasil, ao lado do aeroporto internacional Salgado Filho (POA) em Porto Alegre, existe o Boulevard Laçador, espaço criado com um pequeno museu que mostra objetos utilizados pela VARIG, e também conta com um DC-3 em exposição, no local foram abertos restaurantes e lanchonetes das mais famosas redes que tem franquias no Brasil, para os spotters o local conta com um ângulo estratégico do terminal e dos pousos e decolagens do lado da cabeceira 11 do aeródromo.

A principal queixa dos spotters, é que nenhuma administradora de aeroportos do Brasil, tomaram a iniciativa de criar um espaço permanente e seguro para prática do plane spotting. Com o exemplo do Boulevard em Porto Alegre, e dos espaços criados mundo a fora, investir neste segmento, seria a maneira mais inteligente de ganhos por ambas as partes. O aeroporto poderia oferecer um espaço para observação, criando uma oportunidade de negócios, abrindo espaço para empresas interessadas em vender seus produtos aos visitantes.

Junto ao aeroporto internacional de São Paulo/Guarulhos, existe um espaço que é considerado um dos melhores observatórios de aeronaves no mundo, o local é visitado frequentemente por spotters do Brasil do exterior e por dezenas de moradores da região que passam o dia observando, pousos e decolagens por um ângulo de tirar o fôlego. Conhecido por eles como Morrinho, o ponto de observação, fica localizado em uma parte elevada, junto ao bairro São João na cidade de Guarulhos.

O Morrinho, tem todos os elementos necessários para se tornar um grande empreendimento a favor da cultura aeronáutica brasileira: o local conta com uma grande área verde, que poderia se tornar um parque, com entretenimento para todos os moradores da região e com deck de observação para os aero entusiastas. Para a concessionária que administra o aeroporto, poderia ser a oportunidade de aumentar sua receita, oferecendo parte do espaço para abrir lojas, lanchonetes e restaurantes.

A área fica de fácil acesso com ligação direta entre o terminal 3, passando pelos hangares da Latam e American, até a área. Uma possível parceria com a prefeitura da cidade de Guarulhos, poderia dar ânimo a criação deste parque, com possibilidade de quadras poliesportivas, pistas de ciclismo e skates, além de espaço verde com gramados para aqueles que buscam um bom lugar para ler um livro ao som dos motores do jatos do movimentado aeroporto da cidade.

O Morrinho, foi por muitos anos bairro residencial, em 2013 a concessionária GRU Airport, fez um acordo de compra do terreno e deixou em preservação. Mas o maior problema, aconteceu a cerca de um ano, quando parte da área foi invadida por moradias ilegais que ocuparam a parte de trás do local.

Ao que tudo indica, se não tiver uma iniciativa ou parceria com alguma empresa para criar algo sustentável no Morrinho, a tendência será da perda do melhor lugar de observação de aeronaves no aeroporto para moradias ilegais em casas de madeiras, podendo talvez colocar em risco a segurança dos visitantes e do próprio aeroporto internacional de Guarulhos/São Paulo (GRU).

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