O ar que respiramos dentro do avião é limpo e seguro?

Artigo de Joseph Allen no Washington Post nos ajuda a entender porque o ar ‘reciclado’ dos aviões são mais seguros que em muitas áreas que estamos expostos diariamente. Joseph é professor na escola de saúde de Harvard e autor do livro ‘Healthy Buildings’.

Se você acha arriscado dizer que voar durante uma pandemia é seguro, saiba que o sistema de ventilação das aeronaves é equiparado aos filtros que o ‘CDC’ (Centers for Disease Control – Órgão de segurança sanitária dos EUA) utiliza em salas de isolamento com risco biológico.

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Para ser mais prático, a cada hora o ar dentro da cabine da aeronave é renovado de 10 a 12 vezes. Num hospital ou escritório, a média de circulação é de 6 vezes por hora. Ou seja, ninguém está imune a tocar superfícies infectadas ou ter contato com outras pessoas que possam ser vetores de uma doença, mas atribuir medo ou risco ao fato de estarmos voando por vezes até 12 horas dentro de um cilindro pressurizado não é a maneira de justificar tais riscos, presentes em qualquer outra atividade que venhamos a desempenhar antes ou depois do voo.

Uma metade do ar é capturada por filtros HEPA – tais filtros são capazes de capturar 99.97% das partículas presentes no ar. A outra metade, saturada de gás carbônico, é expelida através de válvulas. Além de aeronaves comerciais contarem com sistemas que detectam a quantidade de oxigênio e a qualidade do ar que respiramos, seja num voo de 40 minutos ou 12 horas.

Outra coisa é separar que sim, transporte aéreo é vetor de doenças, transportando massivamente pessoas infectadas ao redor do planeta até que se tomem medidas. Mas não necessariamente, ao voltar viajar de avião, diante da retomada do turismo e dos transportes, o passageiro estará mais exposto durante seu voo.

Isso não dispensa limpezas recorrentes entre as etapas e o uso da máscara de proteção durante os voos, pois as gotículas ou partículas que são capazes de transportar vírus e bactérias ainda poderão viajar uma ou duas fileiras de poltronas após serem tossidas ou expelidas por alguém infectado, até encontrar uma superfície ou ser sugada pelo sistema de ventilação.

Existe um atual esforço conjunto que as maiores fabricantes de aeronaves, Boeing e Airbus, estão fazendo para demonstrar que viajar pode ser sim um fato desencadeante para epidemias ou doenças, mas não a bordo das aeronaves; Que fatores como a limpeza dos aeroportos, transporte terrestre na origem ou no destino é que são os lugares em que as vulnerabilidades estão presentes.

A Boeing apontou seu ex-engenheiro chefe de planejamento Mike Delaney para ceder conferências à indústria turística junto com técnicos da Airbus, que diz estamos numa fase de recuperar a confiança do público sobre o modal.

Delaney explicou como os aviões captam o ar externo, através dos ‘bleeds‘ do motor, parte que não tem contato com o combustível e que após concentrar oxigênio suficiente, ser aquecido (a temperatura externa em cruzeiro é em média -50º C), são direcionados para os ventiladores internos.

Isso surgiu após serem ‘ventilados’ rumores (fake news) de que o ar dentro da cabine de passageiros não era renovado, mas sim somente reciclado.

Esperamos que o nosso texto tenha sido capaz de tirar essa dúvida!

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