A utilização do número 7 nos jatos da Boeing

Pode ser curiosidade de muita gente ligada à aviação sobre o critério que a Boeing utiliza para determinar a nomeação de seus projetos. Muitas teorias tentaram justificar os critérios e responder o por quê que a Boeing utiliza o número 7 para início e fim de seus modelos. Mas afinal, de onde veio a escolha do 7?

O Boeing Triple Seven

Com o fim das guerras mundiais, a aviação começou a ser utilizada para o transporte de civis e correios aéreos. Nos Estados Unidos, a Boeing, Douglas e McDonnell disputariam nos anos seguintes o protagonismo na aviação civil sendo por muitos anos, tornando assim as principais fabricantes no mundo.

A Boeing contava inicialmente com dois modelos capazes de transportar passageiros, o Model 40 e Model 80. A Douglas, lançaria no mercado o DC-2 e DC-3 para competir com a Boeing. Ganhando mais atração no mercado aéreo, a Boeing chegou no mercado com o Stratoliner, primeira aeronave civil com cabine pressurizada e anos mais tarde, com o famoso Stratocruiser.

Com a intenção de diversificar seu catálogo nos anos 50, a Boeing começaria a desenvolver novos projetos, não só na aviação civil, mas como na indústria aeroespacial. Para isso, os projetos seriam separados por numerações específicas:

  • 300 e 400 para aviões civis;
  • 500 para aviões turbos;
  • 600 para foguetes e mísseis;
  • 700 para aviões com motores a jato.

Assim sendo, o Stratoliner e Stratocruiser, foram batizados de Boeing 307 e 377 respectivamente. Coincidência ou não, o número 7 começava a aparecer nas produções da Boeing.

Em 1954 a Boeing divulgaria o seu novo projeto, o 367-80, mais conhecido como Dash 80. O Dash 80, serviria como base de protótipo para o primeiro modelo que receberia a numeração 7 no início.

Porém para melhorar a pronúncia, foi adicionado o 7 no final, assim como o 307 e 377. Nascia assim o projeto do Boeing 707, e respectivamente todos os modelos que viriam depois, com o mesmo tipo de sequência, variando apenas o segundo número (7×7).

Com o rápido desenvolvimento tecnológico, nove anos depois a Boeing lançava o segundo modelo a jato, o 727. Ainda nos anos 60, a fabricante se destacaria com duas introduções que revolucionou o mercado aéreo mundial, o 737 e 747.

O 737, por ser o primeiro jato comercial que não teria a presença do terceiro tripulante no cockpit (o engenheiro de voo), e o 747 por virar ícone na aviação por possuir dois andares, sendo apelidado de Jumbo.

No Brasil, estes jatos desenvolveram uma importante história da nossa aviação comercial, com a VARIG trazendo o 707 e a VASP sendo a primeira companhia aérea na América Latina receber o 737. A Cruzeiro apesar de ter anunciado primeiramente a compra dos 727, a VARIG foi a primeira a receber o modelo em 1970.

Apesar do salto do 707 para 727, o modelo “717” só foi utilizado no final dos anos 90 com a aquisição da McDonnell Douglas pela Boeing. O modelo MD-95 foi rebatizado de 717 logo nas primeiras produções entregues em 1999. Nesta época, a Boeing já contava com o 767 e tinha lançado no mercado o 777, que ficou conhecido como Triple Seven. Os últimos MD-11 produzidos, apesar de terem sido no comando da Boeing, não tiveram modificação no seu nome, e teve seu projeto encerrado por ser concorrente direto do 777.

Atualmente, somente os modelos 737, 777 e 787 fazem parte do catálogo de produtos da Boeing na aviação comercial de passageiros. Porém, o 737 que chegou na sua quarta geração, chamada MAX, encontra-se com grandes dificuldades para voltar a voar, e os últimos da geração Next Generation foram entregues em março deste ano. O Triple Seven continua sendo produzido, tendo ganhado o seu sucessor, o 777X. Já o 787 (sucessor do 767), sofreu instabilidades na produção recentemente devido a crise mundial, porém terá sua produção normalizada este neste mês de maio.

A sequência 7×7 chegou no fim?

O último modelo a utilizar esta sequência, foi o 787 Dreamliner, que ainda possui anos de produção pela frente. A Boeing chegou a cogitar na produção de uma aeronave que fosse o substituto do 757, sendo um meio termo entre o atual 737 e 787 para concorrer com a Airbus e seu jato de sucesso A321neo XLR, capaz de transportar mais de 200 passageiros em classe única voando em médias distâncias.

Porém com a atual crise econômica mundial, e os problemas que a fabricante vem enfrentando com o 737 MAX, produção atrasada do 777X, que levaram a Boeing a cancelar inclusive a aquisição da brasileira Embraer, deve ficar ainda mais distante a introdução de um novo projeto que seria chamado de 797.

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