A trajetória do Fokker 100 no Brasil

Foram vinte e seis anos de voos no Brasil, o Fokker 100 que voou nas cores da TAM, TABA, Mais e Avianca (OceanAir) foi de grande importância para a evolução dos voos regionais no país e também a aeronave que virou protagonista de um dos maiores acidentes aéreos por aqui, além de inúmeros incidentes que mancharam de sangue sua imagem no Brasil.

No ano de 1989, Rolim Amaro juntamente com Ruy Amparo, foram os responsáveis por trazer o Fokker 100 ao Brasil. Desde a inauguração do aeroporto de Guarulhos (GRU) muitos voos domésticos e internacionais que eram operados em Congonhas (CGH) foram transferidos, deixando o aeroporto da capital com pouco movimento. Com o início das operações do Fokker 100 em Congonhas, a TAM deu um passo muito importante transformando o aeroporto em seu principal hub, dando vida nova ao aeroporto central da metrópole que hoje é o mais movimentado do país.

Com a introdução dos Fokker nos voos para o interior paulista, a então TAM passou a oferecer um novo padrão de serviços e conforto aos passageiros ligando-os com o aeroporto da capital, transformando a companhia regional em uma das líderes em voos domésticos. Na época, a TAM batizou os Fokker de “Jato de Congonhas”.

Mas nem tudo foram flores, e a trajetória do Fokker 100 na TAM foi marcada por inúmeros incidentes como: pane seca que resultou em um pouso forçado em um pasto sem vítimas fatais; além de uma bomba que foi acionada por um passageiro e que causou a morte de uma pessoa que foi ejetada a uma altura de 2.400 metros, quando o avião sobrevoava a região de Suzano; Destacando o mais sério deles, em Viracopos deu perda total a aeronave que pousou de barriga, incapaz de estender o trem de pouso.

O Fokker 100 da TAM, também foi o protagonista de um dos maiores acidentes da história do Brasil; Em outubro de 1996, quando o PT-MRK, que foi pintado nas cores “Number One” pela razão do prêmio recebido pela companhia aérea por ser reconhecida como a melhor regional do mundo naquele ano, caiu logo após sua decolagem, matando 99 pessoas a bordo e três no solo. No final dos anos 90, com a internacionalização de seus serviços a TAM começou a renovação da frota, substituindo os Fokker 100 por Airbus A319 e A320.

Seguindo no mesmo embalo de crescimento, em 1993 a companhia aérea amazonense TABA introduziu a sua frota dois Fokker 100, foram utilizadas em diversas rotas regionais e também no âmbito internacional para Georgetown, na Guiana. Mas a trajetória do Fokker na companhia não foi duradoura. Em 1995 a empresa passou por uma crise, que levou a sua falência anos depois, e um de seus Fokker foi retomado por falta de pagamento. Tempos depois, ambos os jatos passaram a voar na frota da TAM. A TABA, encerrou suas atividades no ano de 1999.

No ano de 2010, uma nova companhia aérea brasileira com sede em Salvador (SSA), encomendou dois Fokker 100 para prestar serviços de voos regulares domésticos e não regulares. A Mais Linhas Aéreas, chegou a realizar alguns voos fretados, porém nunca chegou a voar definitivamente em voos regulares como pretendia. No ano de 2012 a empresa encerrou suas atividades por questões financeiras, devolvendo os dois únicos Fokker 100 da sua frota.

Em 2008, a então OceanAir (Avianca Brasil), que operava com aeronaves Embraer 120 Brasilia e Fokker 50, decidiu introduzir em sua frota 14 Fokker 100 que pertenciam a American Airlines. Em razão da má fama da aeronave entre os passageiros após os acidentes da TAM, a OceanAir o rebatizou de Fokker MK-28 (o nome técnico da aeronave é MK-28 F100).

No ano de 2010 a companhia passou a se chamar Avianca Brasil, marca da empresa colombiana controlada na época pelo mesmo grupo Synergy.

Após sete anos de operações bem sucedidas pela Avianca Brasil, carregando a companhia para uma incrível ascenção, chegou a hora do Fokker 100, que foi o responsável pela popularização do transporte aéreo nacional se despedir do país. Em seu último voo em território brasileiro promovido pela Avianca, a despedida do Fokker 100 reuniu convidados e jornalistas no aeroporto de Congonhas, em um clima de alegria, saudade e respeito por esse avião tão importante para a aviação comercial brasileira.

Pela última vez o Fokker 100 liberou toda sua potência dos motores Rolls-Royce Tay, na cabeceira 35L do aeroporto de Congonhas. A bordo o então presidente da companhia José Efromovich, fez um discurso emocionante, destacando a importância da aeronave na frota da Avianca durante os anos que esteve na frente dos voos regionais. O Fokker 100 foi substituído pelos modernos Airbus A318, A319 e A320 como plano de modernização de frota.

Após o voo de despedida com convidados e jornalistas, ao tocar pela última vez o solo do aeroporto de Congonhas, bombeiros promoveram o tradicional batismo de honra (water salute), chegando ao fim a linda história de altos e baixos desta incrível máquina no país.

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