Trump Shuttle: a aérea do Donald Trump nos anos 80 e 90

Atualmente como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump teve grande participação no ramo empresarial desde os anos 70, até levá-lo ao posto que encontra-se nos dias de hoje. Trump, além de empresário, também já teve participações em televisões nos Estados Unidos, como o caso do reallity show “The Apprentice“, e também foi considerado nos anos 80 como um dos mais ricos do mundo.

Porém um dos ramos que o empresário se aventurou foi o setor aéreo nos Estados Unidos no final dos anos 80. Em um acordo de 365 milhões de dólares, Donald Trump anuniava a aquisição dos serviços da Eastern Airlines Shuttle, transformando mais tarde na sua nova companhia aérea: a Trump Shuttle.

Em 1988, a Eastern Air Lines solicitou o chamado Chapter 11, que seria equivalente à Recuperação Judicial no Brasil, quando nos Estados Unidos, as empresas conseguem por proteção judicial, reoganizar suas dívidas para evitar a falência. A Eastern Air Lines Shuttle era uma filial do grupo, e fornecia voos saindo dos aeroportos que servem Nova York (NYC e EWR), Boston (BOS) e Washington DC (IAD) a cada hora, como uma Ponte Aérea Rio-São Paulo.

No ano seguinte, Donald Trump disputou com a America West, a aquisição da Eastern Air Shuttle. A proposta havia sido perdida para a America West, porém a companhia não obteve crédito necessário para concluir a transição, ficando assim para o Donald Trump em maio de 1989, quando conseguiu um empréstimo com a Citibank.

Donald Trump ao lado de um dos Boeing 727-200 da Trump Shuttle.

Em 8 de junho, poucos dias depois, estava nascendo a Trump Shuttle, com uma frota de 21 Boeing 727 (entre versões 100 e 200), procedentes da então Eastern Air Shuttle, servindo três aeroportos, Nova York/LaGuardia (LGA), BOS e IAD com incríveis 64 voos diários, logo na primeira semana de operação. Foram investidos cerca de um milhão de dólares em cada jato para reforma de interior e pintura. No início, era comum ver as aeronaves com a pintura base da Eastern, apenas com a logomarca “Trump” na fuselagem.

No dia da inauguração, Donald Trump prometia que sua empresa será a melhor companhia aérea do país, e diversos passageiros mostravam-se entusiasmados com a nova experiência. Porém apesar das promessas, na primeira semana de operações, a companhia era desorganizada, segundo David Monley, um dos pilotos da aérea, que absolveu praticamente todos os funcionários da Eastern Air Shuttle.

A Pan Am Shuttle era a principal concorrente da Trump Shuttle.

Trump também atacava sua principal concorrente, a Pan Am Shuttle, com declarações de que a segurança é o valor número um para a Trump Shuttle, algo que não seria prioridade na concorrente. Dois meses depois de iniciar as operações, um dos Boeing 727-200 realizou um pouso de emergência em BOS com um problema no trem de pouso da frente que não desceu, o que causou um marketing negativo nas falas do Donald Trump.

Em 1990, os Estados Unidos, principalmente a região nordeste, entrava em uma crise econômica impulsionada pela Guerra do Golfo e a invasão no Kwait pelo Iraque, o que elevou consideravelmente o preço do barril de petróleo, refletindo diretamente na aviação. Por tanto, as companhias aéreas viram a demanda cair consideravelmente no setor, o que forçou a Trump Shuttle efetuar alguns voos fretados para o governo americano.

No ano seguinte, Trump Shuttle havia uma dívida com o Citibank sobre o empréstimo realizado pelo Donald Trump para adquirir a Eastern Air Shuttle, de 165 milhões de dólares. O que permitiu o banco oferecer o controle da companhia aérea para as concorrentes, tendo a Northwest, Delta e US Airways como interessadas, num longo processo para assumir o controle.

Em abril de 1992, após a saída do Donald Trump como acionista da Trump Shuttle, criando assim a Shuttle Inc, a US Airways assumiu o controle da companhia, transformando-a em USAir Shuttle. Anos mais tarde, em 1997, a US Airways adquiriu o controle total da companhia, que foi sua subsidiária até julho de 2000, quando foi absolvida totalmente às suas operações.

O Boeing 727-200 matrícula N912TS já nas cores da USAir Shuttle.

Dias atuais

Donald Trump já tinha desde antes de criar a Trump Shuttle, atividade ligada com aviação, mas para uso particular. Como era o caso de um Convair 580, matrícula N968N. Com o crescimento dos seus negócios no final dos anos 90, passou a contar com um Boeing 727-100 BBJ (Boeing Business Jet), matrícula VP-BDJ.

Em 2011 foi a vez de trocar o clássico 727 BBJ pelo Boeing 757-200 BBJ, matrícula N757AF, passando a ser um dos BBJ mais conhecidos do mundo, para facilitar seus negócios, podendo alcançar voos mais distantes que o antecessor.

Atualmente, por exercer sua função de presidente dos Estados Unidos, Trump voa apenas em aeronaves oficiais da Marinha e Força Aérea, aptas para transportar o presidente do país. O mais conhecido, é o Boeing 747-200, que é rebatizado como VC-25A por ser versão militar, porém também é comum a utilização do Boeing 757 (C-32A). Já o seu Boeing 757 BBJ, ainda é ativo, sendo utilizado pelos familiares.

Compartilhe nas redes sociais

Acesse o Fórum Contato Radar para mais informações sobre a aviação no Brasil e no mundo clicando aqui!

Deixe uma resposta

error: Conteúdo protegido pelo Contato Radar!