O preço do petróleo foi abaixo de zero, mas isso não deve salvar companhias aéreas. Entenda

O que seria esperado é que a queda histórica no preço do barril de petróleo fosse gerar ‘uma festa’ na administração das companhias aéreas em meio a uma de suas piores crises, mas não será bem assim. O preço do barril caiu a menos de 30 dólares no mês passado, a maior queda em mais de 20 anos, e agora chegou a preços negativos* na ‘bolsa’ de cotações dos Estados Unidos West Texas Intermediate.

*Isso mesmo, os vendedores estão pagando US$37 a quem quiser comprar um barril agora. Isso se deve a uma brusca queda na demanda, capacidade limitada de estoque e a manutenção da produção, entre outros fatores.

O combustível no custeio da operação aérea chega a representar mais de 20% no orçamento das companhias. Muitos acreditariam que os problemas estariam resolvidos; Afinal, agora eles vão receber pra comprar!

A grande questão é a estratégia de compra de petróleo por empresas aéreas e outros modais. Para se proteger da volatilidade do mercado e de variações diárias causadas por impactos geopolíticos, que podem representar uma grande fatia, as compras são feitas em preços previamente congelados, chamados ‘hedge funds’, por uma quantia determinada de tempo, podendo chegar a meses ou anos.

O que é uma proteção contra altas inesperadas no valor do petróleo agora se tornou uma faca de dois gumes.

A Singapore Airlines, por exemplo, cotou 76 dólares fixos em 80% do seu consumo de combustível até o final do semestre, de acordo com uma matéria da Bloomberg.

A British Airways e a Ryanair estão no mesmo barco, enquanto a Norwegian e Cathay fixaram seus hedges em apenas 40% do consumo, os colocando em uma posição estratégica mais favorável. Já as aéreas Chinesas e da Índia utilizam outro modelo para compra do commoditie, o que explicará impactos diferentes causados na operação da Air China, por exemplo, ao contrário do que informam outros portais que misturam aspectos políticos e de opinião em suas notas jornalísticas.

Se a concorrência não tiver o preço de sua demanda de combustível pré-negociada, isso pode fazer com que vendam bilhetes mais baratos e tenham sobrevida no momento de crise, tornando a situação para quem negociou quantias imensas de petróleo a valores pré-estabelecidos, um cenário devastador.

Um caso passado famoso é o da Southwest Airlines, que adquiria reservas ao equivalente de 50 dólares numa queda repentina do mercado, enquanto suas congêneres negociavam o barril a 90 dólares americanos pré-fixados por hedge funds.

O preço cotado pela WTI para entrega de combustível à partir de Maio/20 despencou para 37 dólares negativos para contratos que terminam nesta terça (21). Mas muitas cúpulas administrativas ficarão apenas com água na boca.

No mercado estabilizado, compradores com um horizonte de consumo rápido, que é o caso de companhias aéreas, estas seriam as mais beneficiadas, mas com os efeitos catastróficos da pandemia internacional que parou os transportes de passageiros e tem feito estragos em economias ao redor do mundo, estes potenciais compradores não tem galpões ou locais para armazenar o óleo negociado desta forma para uso futuro.

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