A retirada dos Airbus A380 e Boeing 747 diante da crise mundial

A aviação e o turismo, certamente são as duas atividades ecônimcas mais impactadas pela crise do novo coronavírus Covid-19. E desde o início desta crise, vem provocando em todas as companhias aéreas no mundo, redução de oferta de voos, retirada de aeronaves e até mesmo dificuldades financeiras, como a Alitalia e a Flybe.

Com a redução na demanda por voos internacionais, seja por procura ou por restrições governamentais, as grandes companhias aéreas estão enfrentando vários desafios para deixar suas frotas, principalmente os quadrimotores atuais, sendo eles: Airbus A340, Airbus A380 e o famoso jumbo, Boeing 747.

Nascido para inovar o mundo aeronáutico dos anos 60/70, o Boeing 747 sem dúvidas sempre será um dos favoritos dos entusiastas e profissionais da aviação. Porém, um problema em comum passou a ser para jumbo e o Airbus A380 nos últimos anos: a melhor utilização do Boeing 777-300 e dos Airbus A340, este último reposto pelos atuais A350.

Mais assentos adicionados nas aeronaves, reduzindo o conforto para os clientes, fizeram que reinado do 747 estivesse cada vez mais perto do final. A introdução da versão 747-8 e do Airbus A380, não tiveram tanto sucesso nas companhias aéreas, pois os altos custos de manutenção envolvidos por possuirem quatro motores, mais tripulantes, consumo de combustível etc, não seriam vantajosos em comparação ao Triple Seven por exemplo.

Nos dias de hoje, tanto a Airbus e Boeing competem no mercado com aeronaves bimotores, como é o caso do A350-1000 e 777X, deixando de lado as produções dos seus jatos de dois andares. Nesta matéria especial você poderá ver algumas mudanças nas frotas globais do Airbus A380 e do Boeing 747 durante esta crise mundial.

Airbus A380

No início da proliferação acelerada do vírus em Wuhan, a China Southern interrompeu seus serviços na cidade, deixando no chão, diversas aeronaves, incluindo o Airbus A380. Foi a primeira companhia operadora do modelo, a deixá-lo sem voar temporariamente.

Com a chegada do Covid-19 em outros países, o mesmo efeito começou a ser praticado por outras companhias aéreas, afetando posteriormente a Korean Air, Lufthansa e Qantas.

A australiana, ainda realizou alguns voos diretos entre o norte da Austrália e Londres (LHR), sendo um dos voos mais longos já realizado pela companhia com o A380, já que usualmente fazem escala em Singapura (SIN).

Com a crise aprofundando na Europa, a British Airways teve que seguir o mesmo caminho, e enviou para a França, seis dos seus 12 Airbus A380 para estocagem de longo período.

Recentemente, a administradora do aeroporto de Chateauroux (CHR), aonde os jatos se encontram, anunciou que mais cinco A380 da British estarão a caminho do aeroporto para se juntarem aos atuais seis presentes.

Na Lufthansa não foi diferente, e inicialmente anunciou a suspensão temporária dos voos com o Airbus A380.

Porém em uma decisão de revisão da frota, decidiram retirar em definitivo seis dos seus 14 Airbus A380, que seriam vendidos de volta para a fabricante Airbus em 2022, além de 10 Airbus A340 (versões -300 e -600).

Maior operadora do Airbus A380 no mundo, a Emirates, está sem voar com nenhum exemplar, devido as restrições impostas do governo local. Ao todo a companhia possui 115 aeronaves e ainda tinha para receber outras oito unidades.

A companhia seria a última a receber os últimos Airbus A380 fabricados no mundo. No fim de fevereiro, chegou em Toulouse as partes do último super jumbo para ser montado.

Hoje praticamente todas as companhias aéreas que possuem o gigante A380 estão sem voar com os mesmos. Pouco antes da publicação deste artigo especial, o Flightradar24 mostrava apenas 2 Airbus A380 voando em todo o mundo: sendo um da China Southern realizando o voo CZ327 entre Guangzhou (CAN) e Los Angeles (LAX), e outro da Lufthansa realizando o LH357 entre Auckland (AKL) e Frankfurt (FRA), com uma escala em Bangkok (BKK).

Boeing 747

Se o mercado não está fácil para o Airbus A380, para o Boeing 747, em especial à versão 400, passa a ficar mais complicado ainda devido a sua idade e poucos operadores globais que o mantém ainda em operação. Nos dias atuais, é possível praticamente contar nos dedos todas as companhias aéreas que possuem o 747-400 e 747-8 nas versões de passageiros ainda.

Apesar do seu reinado comprometido, ainda é bastante utilizado por companhias aéreas cargueiras e estão desenvolvendo um papel importantíssimo nessa crise global, nos fretamentos em busca de medicamentos, máscaras cirurgicas e outros equipamentos de proteção individual para combater o novo coronavírus Covid-19.

A Qatar Airways ganhou um destaque no início dessa crise, quando ainda era um problema concentrado mais em Wuhan, na China.

Vários voos foram operados pelos Boeing 747-8F e 777-200F saindo de Doha (DOH) para levar diversos materiais para a China. A companhia possui apenas dois 747-8F em operação e estão em atividade frequente em diversos países para o combate do Covid-19.

Porém duas, das poucas companhias que ainda possuem da versão de passageiros do 747-400, anteciparam a retirada do jumbo de operação: a KLM e a Qantas.

A KLM chegou a possuir 56 unidades do jumbo desde o recebimento do seu primeiro em 1971. Em março, a companhia realizou seu último voo de passageiros, entre Cidade do México (MEX) e Amsterdã (AMS). Nos últimos dias porém, um deles voltou à ativa para transportar somente carga.

Coincidentemente com o último voo da KLM, a Qantas realizou também no mesmo dia o seu último voo com o jumbo.

O último voo foi o seu clássico entre Santiago do Chile (SCL) e Sydney (SYD), sua única operação na América do Sul. O VH-OEE foi entregue novo a companhia em 2002, tendo atualmente 17.7 anos de idade. Ao todo a Qantas teve 65 unidades do jumbo, nas versões 100, 200, 300, 400 e SP.

Na Europa, um dos epicentos do novo coronavírus, a British Airways e a Lufthansa também fizeram modificações em sua frota do Boeing 747-400. A British Airways antecipou a retirada de cinco unidades do modelo, e enviou para a Teruel (TEV) na Espanha, para passar os seus últimos dias. Em toda a sua história, a britânica operou 109 jumbos, tendo 26 ainda ativos, sendo uma das companhias aéreas que mais utilizou o modelo no mundo.

Já a Lufthansa, juntamente com as medidas anunciadas para retirada antecipada de alguns Airbus A380, anunciou também a retirada antecipada de cinco unidades do Boeing 747-400. Atualmente a alemã é a única operadora das versões 400 e 8 do jumbo na Europa, tendo 13 e 19 unidades de cada um respectivamente, totalizando 32. A Lufthansa também foi uma das principais companhias aéreas no mundo a utilizar o Boeing 747, com o total de 88 em toda a sua história.

Ao aplicar o mesmo filtro no Flightradar24 igual fizemos com o Airbus A380, podemos observar dezenas de Boeing 747 ainda voando em todo o mundo, a maioria, na versão cargueira.

Futuro no pós-crise

Para os entusiastas e profissionais da área ficará a dúvida se após a crise será fácil voar de passageiros nos jatos de dois andares. Certamente em algumas companhias aéreas na Europa ainda será possível voar os dois nos próximos anos, como British Airways e Lufthansa. No caso do Airbus A380, com a Emirates com sua enorme quantidade do modelo. Na Ásia, provavelmente encontraremos alguns jumbos voando na Air India, Korean Air e Thai.

Porém é certo que seus reinados estão cada vez mais próximo do fim. O Boeing 747 pelo menos tem uma vantagem sobre o A380: pode ganhar sobrevida de muitos anos como cargueiro, já que até hoje podemos encontrar versões antigas do 200 em operação e diversas companhias aéreas que o utilizam para este tipo de operação em todo o mundo.

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