Flight Report: Voando de Brasília para Orlando a bordo do Boeing 737 MAX

Voo ocorreu em fevereiro do ano passado (2019).

Que o Boeing 737 é um sucesso na aviação, isso ninguém tem dúvidas. O projeto do final da década de 60, originado dos modelos mais antigos, Boeing 707 e 727, foi responsável por um grande marco na indústria aeronáutica mundial. Foi o primeiro jato comercial a eliminar o terceiro tripulante da cabine de comando, conhecido como engenheiro de voo.

A primeira versão do Boeing 737 (-100) nas cores da Lufthansa, cliente lançadora do modelo.

No Brasil, a primeira geração do Boeing 737 foi amplamente usada na versão -200 pela Cruzeiro, VARIG e principalmente com a VASP, companhia aérea pioneira na utilização deste jato na América Latina em 1969, com o PP-SMA sendo o primeiro a ser entregue. Este modelo voou até o início dos anos 2000 pela VASP no término das suas operações.

O Boeing 737-200 da VASP, matrícula PP-SFI, preservado pelo Cmte Capistrano em Araraquara-SP.

Cerca de 20 anos mais tarde do primeiro voo do Boeing 737-100, a Boeing lançava no mercado a segunda geração e mais moderna. Com novos motores, asas, alcance e autonomia estava sendo lançada a versão Classic, versões -300, -400 e -500. Nas terras tupiniquins, foi utilizada por diversas companhias aéreas, além das clássicas Cruzeiro, Transbrasil, VARIG e VASP, também pela GOL, Webjet, Rio Cargo e atualmente a Sideral é a única a operar todas as versões clássicas do 737 no Brasil, versões de passageiros e cargueiro.

No final dos anos 90, chegava no mercado o modelo que resultou no maior sucesso de vendas da família 737, o Next Generation ou simplesmente NG. A VARIG foi a pioneira no Brasil trazendo no final dos anos 90 o mais novo e moderno jato comercial de curto e médio alcance. Apesar do pioneirismo, a GOL tornou-se anos mais tarde, a principal operadora do Boeing 737 NG da América Latina, tendo alcançado mais de 120 unidades em operação.

Onze anos se passaram desde o primeiro voo da GOL, e a companhia anunciava a aquisição da última geração da família 737, o MAX, que seriam recebidos cinco anos mais tarde em 2018. O novo modelo colocaria a GOL em uma nova posição no mercado brasileiro. O jato seria capaz de operar uma simples ponte aérea entre Congonhas (CGH) e Santos Dumont (SDU), assim como ir para destinos mais longe, conectando Estados Unidos com voos diretos saindo do Brasil.

O Ponte Aérea cobriu com exclusividade o primeiro pouso da nova aeronave no Brasil, matrícula PR-XMA.

Tudo isso só seria possível graças as mudanças significativas no projeto anterior. Novas asas, winglets e motores LEAP 1B, capazes de reduzir significamente o consumo de combustível frente ao motor que era utilizado anteriormente, o CFM 56.

Chega de delongas e confira abaixo o Flight Report exclusivo do Ponte Aérea voando entre Brasília e Orlando com o Boeing 737 MAX. Vale ressaltar que o voo foi realizado no dia 10 de fevereiro de 2019, exatamente um mês antes do trágico acidente envolvendo o Ethiopian 302, que resultou na paralisação global dos voos envolvendo o 737 MAX e os consequentes problemas encontrados no projeto.

Pelos diversos problemas encontrados no 737 MAX, não restam dúvidas de que com o seu retorno às operações em breve, será o avião mais seguro para se voar na atualidade.

G3 7602 BSB-MCO

Aeronave: Boeing 737 MAX 8
Matrícula:
PR-XME
Assento:
9A

Uma manhã fria em Brasília para minha primeira experiência de ida aos Estados Unidos, que na ocasião seria nas asas de um Boeing 737 MAX 8. O novo modelo era o responsável por levar a GOL para os Estados Unidos, com voos diários e diretos saindo das capitais Brasília (BSB) e Fortaleza (FOR) para os dois destinos mais procurados por brasileiros, Miami (MIA) e Orlando (MCO).

O aeroporto de BSB estava vazio, e como o check-in já tinha sido realizado em Confins (CNF) no dia anterior, não passamos pelo check-in, e fomos direto para a sala de embarque internacional, que estava sem filas para acesso. Após o controle de passaportes e raio-x, fomos aguardar o nosso voo no portão B. Devido uma pequena manutenção na nossa aeronave, o embarque iria atrasar poucos minutos, porém nada que comprometesse a pontualidade. Neste voo estava programado o PR-XME, recém incorporado na frota.

Neste intervalo, pousou o voo da GOL procedente de Buenos Aires (EZE) na qual traziam alguns clientes em conexão para os voos de MIA e MCO. O embarque do voo para MIA já havia sido iniciado, e ainda aguardávamos para a chamada do nosso voo. Por volta das 9h20 foi iniciado o embarque do nosso voo, e em alguns minutos já estávamos acomodados, o meu assento seria o 9A (aqui a sorte, pois a poltrona 10A não possui janela, assim como as 11A e 11F). Na poltrona encontramos travesseiro com a logomarca da companhia, manta e um fone de ouvido. Na classe econômica, não eram distribuídos kits como na Premium Economy.

Mapa de assentos do Boeing 737 MAX 8

Os Boeing 737 MAX 8 da GOL são configurados com interior da Recaro em 186 assentos. As cinco primeiras fileiras, é a Premium Economy, que possuem os assentos do meio bloqueados, mais espaço entre as poltronas com maior reinclínio além do serviço de bordo diferenciado.

Às 09h57, com portas fechadas, aguardávamos o push back do voo para MIA que estava ao lado, para iniciarmos nossa partida. Às 10h06, o PR-XME iniciava o taxiamento para a pista 11L do aeroporto da capital federal. Dez minutos depois, estávamos fora de solo. Vale ressaltar como o avião é silencioso, e pouco escutava o som dos motores.

Com uma hora de voo, foi iniciado o primeiro serviço de bordo. Nesta etapa de voo, eram servidos três vezes, o que foi para nossa surpresa, já que geralmente em voos internacionais médios são realizados duas vezes apenas. Também era possível escolher entre duas opções, vegetariano ou massa. Optei pela massa, que era um macarrão penne com molho a bolonhesa. O serviço de bordo era entregue em uma caixinha, que acompanhava os talheres e uma sobremesa, que eram dois brigadeiros. Não havia opção de bebida alcóolica na classe econômica, apenas água, sucos variados e refrigerantes.

Após recolherem o almoço, as luzes foram baixadas e quase todos os passageiros que sentavam nas janelas, fecharam as persianas para poder descansar.

Nesta época, os Boeing 737 MAX 8 da GOL ainda não contavam com internet Wi-Fi à bordo, apenas o sistema de entrenimento GOL no ar, que disponibilizava alguns filmes, séries e músicas. Logo, restava apenas me contentar com alguns filmes da Netflix que já havia baixado no celular antes da viagem e curtir a paisagem pela janela ao sobrevoar o Caribe.

Antes de deixar a América do Sul, foi iniciado o segundo serviço de bordo, que foi composto por pão de queijo recheado de catupiry e café. Quando sobrevoávamos a região do Caribe e Cuba, cerca de duas horas e meia depois, foi iniciado o terceiro serviço de bordo. Foi entregue uma pequena embalagem com biscoitos, torradas, requeijão e chocolate.

Mais uma hora, estávamos sobrevoando a região de Miami e meia hora depois começamos finalmente os procedimentos de descida para a terra do Mickey. As condições meteorológicas não estavam muito boas e pegamos chuva em toda a aproximação antes do pouso. Relógio marcava 15h00 horário de Orlando quando o PR-XME tocava o solo da pista 17L.

Em poucos minutos taxiamos para a posição 90 para o nosso desembarque. Ao lado na posição 92 estava o Boeing 737 MAX 8 matrícula PR-XMF, que efetuava o voo procedente de Fortaleza (FOR). Logo depois já estávamos na fila de imigração.

Avaliação Final

Todo o voo foi bastante tranquilo, sem turbulências ou incômodos. A tripulação que era composta por cinco comissários, foi super atenciosa durante todo o voo. Um dos pontos interessantes foi o serviço de bordo, que era composto por três etapas, sendo a primeira com refeição quente.

As poltronas de couro utilizadas pela GOL são confortáveis e aceitáveis para um voo médio de 8h como foi esse. O fato de ser um Boeing 737 não deixava o voo menos confortável do que um widebody, porém é claro que as percepções podem variar. Por eu ser um pouco baixo, a distância entre assentos não influenciava.

Atualmente com as operações do modelo MAX suspensas, a GOL segue operando com o Boeing 737-800 saindo de Brasília e Fortaleza para os destinos nos EUA, fazendo uma escala técnica para reabastecimento em Punta Cana (PUJ). Também contam com uma operação semanal direta saindo de Manaus (MAO) e Orlando (MCO).

Sobre o Boeing 737 MAX, consultamos a GOL para tirar algumas dúvidas referetente ao modelo. Segundo a GOL, a companhia possui “20 unidades produzidas em solo americano, que serão entregues tão logo o 737 MAX 8 esteja liberado para voo pelas autoridades aeronáuticas”, e, “dependerá de quando a aeronave estará apta a retornar à operação, e do novo cronograma de entregas a ser negociado com a Boeing. Seremos seletivos no recebimento das aeronaves, de forma a obter o maior número destas durante a alta temporada.” A GOL não quis confirmar quantas unidades que seriam entregues para a Jet Airways foram renegociadas para a GOL, “pois algumas negociações ainda estão em andamento.”

Os Boeing 737 MAX 8 da GOL parados em Confins (CNF)

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