South African Airways entra em processo equivalente à concordata

Aérea sul-africana não registra lucros desde 2011.

A South African Airways, maior companhia aérea da África do Sul, entrou voluntariamente no processo de “business rescue” (resgate da empresa, em tradução literal) na manhã desta quinta-feira (5). A empresa, totalmente pertencente ao estado sul-africano, não registra lucro desde 2011, e passa por sérias dificuldades financeiras.

A medida ocorreu por determinação do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que o fez por meio de carta assinada pelo diretor-geral da presidência, Cassius Lubisi.

A carta afirma que “o gabinete adotou uma postura que garantisse a reestruturação da SAA. Entretanto, após discussões com diversas partes interessadas, incluindo potenciais emprestadores, os acontecimentos exigiram uma mudança de tática no imbróglio SAA”.

A carta afirma, ainda, que “essa é a única rota viável e aberta para que o governo evite uma implosão incontrolável da empresa aérea nacional. O business rescue voluntário também evitará petições de liquidação por qualquer um dos credores da SAA, o que colocaria a companhia em uma posição ainda pior.”

De acordo com a Reuters, a SAA receberá um empréstimo de 4 bilhões de rands, o equivalente a 1,144 bilhão de reais em valores atuais, para garantir a sobrevivência da companhia em curto prazo. A agência informou que metade do valor virá do governo e a outra metade virá de credores já existentes.

O ministro de empresas públicas do governo da África do Sul, Pravin Gordhan, afirmou em outro comunicado que “esse é o melhor mecanismo para restaurar a confiança na SAA, para salvaguardar os bons ativos da SAA e para ajudar na reestruturação e reposicionamento da entidade para uma que seja mais forte, mais sustentável e que seja capaz de crescer e atrair um parceiro de capital.”

A companhia registra péssimos resultados financeiros há anos. No ano fiscal 2017-2018, a empresa teve um prejuízo de 5,4 bilhões de rands — o equivalente a 1,544 bilhões de reais em valores atuais. Por isso a SAA transformou-se em motivo de discussão política, dado o estado delicado das finanças do Estado sul-africano.

O Financial Times informa que há pressão no país para utilizar os recursos nacionais em empresas em estado mais crítico. O ministro das finanças, Tito Mboweni, afirmou há um ano que a reversão do quadro da SAA era irreversível e que a companhia deveria ser fechada. Desde 2012, os contribuintes gastaram mais de 30 bilhões de rands (8,57 bilhões de reais em valores atuais) para cobrir os rombos registrados pela empresa, segundo informou a Reuters.

O quadro da aérea foi ainda mais agravado após uma greve que paralisou as suas operações em novembro desse ano. Os funcionários pediam maiores salários e se afirmavam contra cerca de 900 demissões planejadas pela administração da companhia visando a diminuição de seus prejuízos. A perda estimada pela companhia foi de 90 milhões de rands (25,71 milhões de reais) por dia de paralisação.

Analistas consultados pelo Financial Times afirmam que a SAA pode sobreviver ao processo de business rescue, mas que para isso deverá diminuir radicalmente de tamanho, cortando principalmente os voos de longa distância, que são os que mais perdem dinheiro.

No Brasil, a South African conecta o seu hub em Joanesburgo a São Paulo (Guarulhos) com voos diários operados alternadamente pelos A330-200, A330-300 e A340-300. Desde 2016, a SAA enfrenta concorrência nessa rota com a LATAM, que atualmente liga as duas cidades cinco vezes por semana com os A350-900.

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