A crise que causou o fim dos voos da Aigle Azur a Campinas

O último voo da empresa em Viracopos será no dia 10 de setembro. Parceria foi encerrada em abril.

Em novembro de 2017, foi anunciado que David Neeleman, fundador da Azul e empreendedor serial na aviação comercial, havia comprado uma participação de 32% na companhia aérea francesa Aigle Azur, segunda maior empresa aérea do país europeu. A ideia original, como circulou na imprensa à época, é que o movimento serviria para expandir a atuação da companhia no mercado de longo curso.

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Desde 2012, ainda, o grupo HNA, da China, já tinha participação acionária na Aigle Azur. O grupo chegou a ter participação na Azul e na TAP, empresas gerenciadas por Neeleman.

Meses depois, foi anunciada oficialmente a parceria com a Azul. A Aigle Azur iniciaria operações ligando a sua base em Paris (Orly) a Campinas em parceria com a aérea brasileira, um movimento considerado por muitos como sendo natural.

Em abril desse ano, entretanto, foi anunciado que a Azul suspenderia a venda dos bilhetes para Paris em codeshare com a Aigle Azur. A justificativa, então, era que a parceria estava em “fase de ajuste”.

Nessa semana, contudo, o jornal francês Le Figaro afirmou que a empresa estava em delicada situação financeira, tendo devolvido um A320 em junho e com outros lessors solicitando a devolução de aeronaves devido a atrasos em pagamentos. No dia seguinte, por fim, foi confirmado o fim das operações entre Paris e Campinas a partir de 10 de setembro.

Em comunicado, a companhia rechaçou qualquer pedido de devolução de aeronaves. Entretanto, admitiu que há dificuldades. Segundo a empresa,

“Quando a nova gestão assumiu a frente da companhia há dois anos, a empresa tinha uma estrutura muito pesada para uma atividade muito diminuta. Com o apoio e principalmente as garantias de seus parceiros, a chinesa Hainan Airlines [subsidiária do grupo HNA] e a brasileira Azul [controlada por Neeleman], o desenvolvimento de voos de longa distância foi a melhor resposta a fornecer, pois era algo garantido por essas parcerias e, portanto, sem risco.”

Entretanto, admite-se, de maneira sutil, que os sócios não forneceram o apoio que era esperado nos voos de longo alcance, o que implicitamente justificaria o fim da operação a Campinas. A nota prossegue afirmando que “acontecimentos imprevisíveis e recentes no apoio dado à Aigle Azur pelos acionistas minaram tal estratégia”.

Cabe recordar que o grupo HNA já vem há algum tempo passando por uma crise financeira muito grave, desfazendo-se de ativos importantes para honrar as dívidas, com forte pressão do governo chinês.

Em resposta ao Ponte Aérea, a Azul afirmou que “interrompeu o acordo de codeshare com a Aigle Azur nos voos entre Campinas e Paris e, neste momento, não deve assumir a rota”. Com o fim da operação e da parceria, os passageiros Azul poderão chegar a Paris nos voos em parceria com a TAP, via Portugal.

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